Nelson Marinho, presidente da Associação dos familiares das vítimas do voo Air France 447
O presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do voo Air France 447, Nelson Marinho, afirmou nesta sexta-feira que “repudia” o relatório do BEA, o Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil da França. “Repudio profundamente. Desde o dia 27 de maio, tentam imputar a culpa aos pilotos”, afirmou. “Eles estão preparando a opinião pública para aceitar esta explicação e assim esconder a verdadeira causa do acidente que foi mecânica.” Relatório divulgado nesta sexta-feira aponta que sondas (pitot) congeladas e erros de copilotos causaram acidente, que matou 228 pessoas.
Marinho afirma que não sente revolta pela conclusão mais recente do acidente, mas sim “que se sente enganado”. “Essa história mexe a todo momento comigo. Não quero ser encarado como inimigo da França, mas me sinto enganado pelo BEA. Eles falam muito sem dizer nada”, diz o aposentado.
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O aposentado também diz estar convencido de que o relatório do BEA atende a interesses do governo francês, que tem participação acionária na Air France. “Se eles admitirem que fabricam aeronave com defeito, e o BEA já reconheceu problemas no pitot, eles colocam seus negócios em risco. A França quer preservar empregos no país, e sabemos que a Europa está em crise. “
Embora o relatório do BEA tenha reconhecido falhas no pitot, o documento afirma que os pilotos não souberam agir para administrar o acidente. “Só reforça minha tese de que a Air France é culpada. Deveria contratar pessoas mais capacitadas. Os pilotos não tinham como agir. A falha do pitot provocou uma pane no avião, um apagão, a partir daí nada poderia ser feito.”