Presidente da Air France questiona papel de sensores em acidente

PARIS - A Air France ainda não está convencida de que falhas nos sensores de velocidade tenham sido responsáveis pela queda de um de seus aviões sobre o Atlântico, mas está substituindo os sensores antigos como precaução, disse o executivo-chefe da companhia aérea na quinta-feira.

Reuters |

Pierre-Henri Gourgeon disse a jornalistas que a Air France está em estado de choque após o pior desastre de seus 75 anos de história e que espera ter mais informações sobre o que aconteceu dentro de uma semana.

Um Airbus 330 da Air France caiu no mar em 1 de junho quando voava do Rio de Janeiro a Paris, matando as 228 pessoas que estavam a bordo.

Investigadores de acidentes aéreos disseram que pouco depois de perder contato, a aeronave registrou leituras de velocidade incoerentes, suscitando especulações de que os pilotos possam ter inadvertidamente voado na velocidade incorreta e assim precipitado o desastre.

A Air France anunciou subsequentemente que tinha notado perdas temporárias de dados relativos à velocidade aérea em vôos anteriores de Airbus causados pelo congelamento dos sensores, conhecidos como tubos pitot, e que estava acelerando um programa previamente planejado de substituição dessas peças.

"Por acaso, as primeiras peças substitutas chegaram na sexta-feira, praticamente na véspera do acidente", disse Gourgeon em briefing à imprensa, acrescentando: "Não estou convencido de que os sensores de velocidade tenham causado a queda do avião".

A agência francesa de investigação de acidentes aéreos disse que ainda é cedo para apontar as causas possíveis do acidente e que há apenas duas certezas: que o avião enfrentou tempestades antes da queda e que as leituras de velocidade estavam incoerentes.

Airbus não vai manter seus aviões no solo

A Airbus desmentiu relato publicado por um jornal francês segundo o qual estaria pensando em reter em terra sua frota de aviões A330 e A340 após o acidente, dizendo que as aeronaves têm condições de segurança para voar.

Gourgeon disse que a fabricante assegurou a seus clientes que os três tipos de sensores de velocidade disponíveis para seus jatos são seguros, incluindo o tipo usado no A330 que caiu.

Fontes da indústria aeronáutica disseram que a fabricante também descartou por enquanto a possibilidade de ter ocorrido pane elétrica ou perda de display dos instrumentos na cabine do jato da Air France.

A Air France disse no fim de semana que notara os problemas de congelamento nos sensores de velocidade em maio de 2008, mas Gourgeon disse que esses "incidentes" não foram considerados catastróficos.

A companhia aérea disse que testes a convenceram posteriormente que os sensores desenvolvidos para outro modelo seriam mais eficientes e que decidira começar a instalá-los em 27 de abril, sem aguardar novos testes propostos pela Airbus.

Os sensores de velocidade do Air France A330 foram fornecidos pela empresa francesa Thales, que produziu duas versões do tubo pitot para o avião Airbus. Um terceiro modelo fabricado pela empresa americana Goodrich não vem sendo questionado.

O avião que caiu tinha um modelo Thales anterior, que está sendo substituído por um mais recente.

Equipes de busca brasileiras e francesas já recuperaram 41 corpos de passageiros e destroços no Atlântico a cerca de 1.000 quilômetros da costa norte do Brasil. Um submarino nuclear francês lidera as buscas pelos gravadores de vôo do avião.

Gourgeon disse que haverá mais informações disponíveis sobre o acidente depois de as autópsias revelaram a causa exata das mortes e de especialistas terem estudado os destroços.

"Acho que teremos um pouco mais informações em uma semana", disse ele.

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