"O mais difícil é saber que eles sofreram", diz irmão de vítima

Diretor da Associação dos Familiares, Maarten Van Sluys afirma que relatório revela queda abrupta do avião da Air France

Renata Baptista, iG Pernambuco |

O diretor da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, Maarten Van Sluys, afirmou que o relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA), órgão responsável pelas investigações do acidente, não é conclusivo. Leia o diálogo dos pilotos e o histórico do voo.

"Mas já esperávamos que isso fosse acontecer. As informações são liberadas a conta-gotas", disse Maarten, em entrevista por telefone ao iG . Segundo ele, uma informação que inquietou as famílias foi a de que a aeronave fez uma curva à direita em espiral.

Se tivesse despressurizarão, eles teriam ficado inconscientes e, talvez, não tivessem sofrido. O mais difícil é saber que eles sofreram", diz Maarten

"Eles estavam conscientes, pois não houve despressurização na cabine. É difícil imaginar o que

eles sentiram", afirmou Maarten, que perdeu uma irmã, Adriana, no acidente. "Se tivesse despressurizarão, eles teriam ficado inconscientes. O mais difícil é saber que eles sofreram. Como a queda foi muito abrupta, pode ter havido desespero nos que estavam no avião, eles devem ter percebido que a queda estava acontecendo", conclui ele.

Para o Maarten, uma das surpresas do relatório foi o fato de não haver tentativa do BEA em culpar os pilotos. "A pressão sobre a investigação têm sido muito forte e a observamos que não quiseram entrar em confronto com os sindicatos de pilotos, que são muito atuantes na França", disse.

Outra informação que foi diferente do que estudos da associação revelaram é que a queda avião aconteceu em três minutos e meio, ao contrário das informações que davam conta que ela tinha acontecido em quatro minutos e meio.

O diretor do sindicato afirmou ainda que os familiares estão acompanhando as investigações e que, o próximo passo, é ver o que a Justiça francesa vai incorporar ao processo. Ele disse que não acha que o próximo relatório parcial, a ser divulgado em julho pelo BEA, deve trazer grandes novidades sobre o acidente. "Eles já sabem tudo que vai ser dito, mas liberam as informações aos poucos."

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