Ministro Nelson Jobim diz que destroços encontrados são do avião desaparecido

RIO DE JANEIRO - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que os destroços encontrados no mar são do airbus da Air France desaparecido desde a madrugada de segunda-feira. A certeza vem da localização em que foram encontrados, em um rastro de cinco quilômetros de comprimento, localizado a 1200 quilômetros de Recife, onde está o centro de operações. Não há a menor dúvida que os destroços são do avião da Air France, afirmou a jornalistas nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Paola de Moura, especial para o Último Segundo |

Veja no infográfico a rota do airbus avião da Air France desaparece

O ministro explicou como vai ser o procedimento caso corpos ou sobreviventes sejam encontrados na região das buscas. Eles seriam transportados de navio até 250 milhas de Fernando de Noronha e, depois, levados de helicóptero até a ilha, onde haverá uma equipe de perícia da Aeronáutica e do Instituto Médio Legal de Recife. Então, eles seriam transportados para a capital pernambucana.

Sobre o contato com os familiares, Jobim disse que apenas duas pessoas estão autorizadas a passarem informações a eles: a parente de um dos passageiros e um encarregado indicado pela Marinha, que vão manter contato direto com as autoridades.



Quanto a caixa preta, Nelson Jobim disse: "Caixa preta, que é laranja, não boia, e estamos numa região de dois a três mil metros de profundidade". Ele disse que terá que ser feita a busca pelo objeto, que guarda informações essenciais sobre o voo, mas esta procura vai acontecer "com grande dificuldade".

O ministro explicou que os técnicos da Aeronáutica viram os destroços sem a ajuda de aparelhos, visualmente conseguiram localizá-los. O radar detectou objetos no mar à 1h de terça. Por volta das 5h37 um caça detectou manchas de óleo no mar e às 6h49 o avião Hércules começou a detectar os outros destroços.

Por volta das 12h30, outra aeronave Hércules detectou a faixa de cinco quilômetros de objetos espalhados pelo mar.

Jobim afirma que as investigações ainda não descartaram nada e que continuam trabalhando com todas as opções. "As buscas não têm prazo para acabar, só dados técnicos vão terminar isso", afirmou.

Nesta noite os trabalhos continuam com uma aeronave e, durante a madrugada, três aviões Hércules estarão vasculhando a área dos destroços.

Ele disse que os familiares estão "muito confusos" e lhe perguntaram sobre a possibilidade de desintegração dos corpos. O ministro disse que confirmou a eles essa hipótese e os familiares estão preocupados com ela.

Questionado se também confirma que os destroços são do avião da Air France, o cônsul francês Hughes Goisbault disse: "Nós confirmamos porque nós acreditamos nas informações do ministro Nelson Jobim".

O ministro afirmou que, por causa da origem do avião, o responsável pela investigação é o Estado Francês, e que dois investigadores do país estão no Brasil, esperando as buscas terminarem.

Buscas

Na tarde desta terça-feira, a FAB informou que está utilizando 10 aeronaves brasileiras e cerca de 100 pessoas, além de helicópteros, navios e ajudas internacionais na busca pelo Airbus .

O ministro francês dos Transportes, Jean-Louis Borloo, declarou que a prioridade absoluta das autoridades francesas é encontrar as caixas-pretas. Ele disse ainda que a zona onde provavelmente aconteceu a catástrofe aérea está "praticamente delimitada".

"A busca prosseguirá pelo tempo que for necessário. Mobilizamos os meios na zona e colocaremos à disposição tudo o que for necessário", declarou o ministro francês da Defensa, Hervé Morin.

AFP
Modelo do avião que desapareceu dos radares na madrugada desta segunda

Pane elétrica

A hipótese mais provável para o desaparecimento do radar do Airbus A330 é que o avião tenha sofrido uma pane elétrica , após ser atingido por um raio, afirmou Francois Brousse, diretor de Comunicação da companhia aérea francesa. Porém, segundo especialista, não é comum que acidentes com aviões de grande porte sejam causados por raios. "Eu não sei de nenhum acidente que o avião tenha sido derrubado após ser atingido por um raio", disse Valtécio Alencar, especialista em avião civil.

De acordo com informações da Aeronáutica, o último contato feito pela aeronave com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III) foi às 22h33 de domingo. Nele, o comandante informou que ingressaria no espaço aéreo Dacar-Senegal, às 23h20. De acordo com a companhia, porém, às 23h14, minutos antes do controle aéreo perder o contato com o voo, a aeronave emitiu uma mensagem automática de pane elétrica.

"Já tinha passado por (Fernando de) Noronha às 22h33. Uma hora depois o avião teria que fazer contato por rádio novamente e nesse momento não fez esse contato", disse a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Em função disso entramos em contato com a Ilha do Sal (Cabo Verde). A aeronave também não fez nenhum tipo de contato com eles e nem apareceu no radar", acrescentou.

Segundo a Air France, a aeronave entrou em operação em abril de 2005 e, desde então, já voou 18.780 horas. O comandante da aeronave tinha 11 mil horas de voo em sua carreira e já havia efetuado 1.700 horas no Airbus A330. Ainda segundo a empresa, um dos co-pilotos tinha 3 mil horas de voo e o outro, 6.600.

AP
Movimentação de jornalistas no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro

Informações sobre vítimas

A Air France disponibilizou dois pontos de recepção aos parentes dos passageiros, um no salão nobre da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária  (Infraero), no próprio aeroporto, e outro no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. No hotel, mais de 100 quartos ficarão a disposição de parentes que moram em outras localidades.

Durante todo o dia, parentes de passageiros foram ao aeroporto do Rio para ter mais informações. A mãe de uma da passageiras afirmou que ainda estava com esperanças de reencontrar sua filha Adriana Francisco Van Sluijs .

Conforme a nota divulgada pela empresa, os telefones da Air France para atender familiares são: para o Rio de Janeiro: (21) 3212-1806, (21) 3212-1884, (21) 3212-1889, (21) 3212-1894; para todo o Brasil: 0800 881 2020; para a França: 0800 800 812; e para outros países: + 33 1 57 02 10 55. Já a  Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tornou disponíveis dois números de telefone exclusivos para que os familiares obtenham informações: (61) 3366-9303 e (61) 3366-9307.

(*com reportagem de Carollina Andrade e informações da AFP, AP, e Reuters)

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