Irmã de vítima do voo 447 pensou na agonia dos passageiros ao ler diálogos

Nutricionista perdeu irmão e cunhada que se casaram um dia antes da tragédia. Ela criticou forma como caso é conduzido

iG Rio de Janeiro |

"Foi muito doloroso e triste ler esses diálogos. Reconstitui a cena. Os três minutos e meio de queda do avião é muito tempo. Imagino a agonia dos passageiros. Houve pane elétrica. As luzes se apagavam e acendiam. Possivelmente não houve despressurização, as máscaras não caíram e as pessoas estavam conscientes durante a queda"

Essa é a impressão da nutricionista Sylvie Mello, de 37 anos, ao ler os diálogos entre os pilotos do avião da Air France que caiu em 31 de maio de 2009 no Oceânico Atlântico, matando as 228 pessoas que estavam a bordo. As conversas foram divulgadas nesta sexta-feira (27) pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA), órgão responsável pelas investigações.

Sylvie perdeu o irmão Carlos Eduardo Lopes de Melo, de 33 anos, e a cunhada Diana Pires Cota, de 25, que se casaram um dia antes do acidente. O voo 447 da Air France saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris .

De acordo com relatório preliminar do BEA , cerca de dois minutos após o início dos problemas - os incidentes na cabine ocorreram entre 2h10 (23h10 do dia anterior em Brasília) e 2h14 (23h14) - o avião Airbus A330-203, que estava a uma altitude de 35 mil pés (cerca de 11 mil metros), começou a cair a uma velocidade vertical de 10 mil pés (3 mil metros) por minuto. A aeronave também começou a oscilar, subindo e descendo devido às rajadas de vento.

Com o piloto automático desligado, os pilotos, por três minutos e meio, tentaram, por meio de manobras no manche, reverter a queda. À BBC Brasil, Jean-Paul Troadec, diretor do Escritório de Investigações e Análises, revelou que um dos piltos disse "Não estou entendendo mais nada", durante a perda de controle do Airbus. A frase não consta do relatório parcial divulgado pelo BEA.

Uma ferida que se abre

A nutricionista disse ao iG que, a cada notícia divulgada sobre o caso, a ferida se abre ainda mais e ela não consegue acomodar a tristeza que sente desde que houve o acidente. Seu irmão e a cunhada passariam a lua de mel em Florenza e Toscana, na Itália

"Tudo está vindo aos poucos", disse

A nutricionista acredita que mais surpresas virão porque o relatório divulgado pelo BEA traz várias frases com reticências. Ela criticou como o caso está sendo conduzido.

"Somos sempre pegos de surpresa. A informação sobre a existência de corpos entre os destroços foi passada primeiramente para a opinião pública e só depois para as famílias. Os corpos estão a 4 mil metros de profundidade. Nunca houve um resgate assim. E eles dizem primeiro que vão resgatar, depois dizem que não", reclamou.

Sylvie afirmou que os corpos do irmão e da cunhada ainda não foram resgatados mas ela não faz questão.

"Acho desnecessário. É muito doloroso", declarou.

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