França vai acelerar buscas por caixas-pretas de avião da Air France

Porta-voz do BEA, órgão que investiga as causas do acidente, diz que prioridade é "localizar e analisar as caixas-pretas"

BBC Brasil |

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O Escritório de Análises e Investigações da França (BEA, na sigla em francês), que apura as causas do acidente com o voo AF 447 da Air France, informou nesta terça-feira que está tentando acelerar o início do lançamento da quinta fase de buscas pela aeronave, que tem como prioridade a procura das caixas-pretas do avião e o resgate de corpos e destroços no Atlântico.

"Estamos fazendo o máximo para tentar reduzir o prazo ou pelo menos cumpri-lo e iniciar a fase 5 o mais rapidamente possível", disse à BBC Brasil Martine Del Bono, porta-voz do BEA.

"Nossa prioridade é localizar e analisar as caixas pretas do avião", afirmou Del Bono. O Airbus da Air France caiu no Atlântico em 31 de maio de 2009 após decolar do Rio com destino a Paris com 228 passageiros.

O Ministério dos Transportes da França afirma que vai iniciar esta fase em 21 de abril. Nesta data, o navio Ile-de-Sein, de propriedade da companhia Alcatel-Lucent, deixará o Cabo Verde em direção ao local do acidente.

Caixas-pretas

Maarten van Sluys, diretor da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo Air France 447 (AFVV 447), que esteve na segunda-feira em Paris em uma reunião com representantes do governo francês e do BEA, disse à BBC Brasil ter sido informado durante o encontro sobre a probabilidade de que as caixas-pretas estejam na fuselagem já encontrada e possam ser resgatas.

"Não houve a informação categórica de que as caixas-pretas foram achadas. Eles nos mostraram fotos da cauda, que está intacta, e disseram que muito provavelmente elas podem estar ali", afirmou Van Sluys.

As duas caixas-pretas, que gravam os dados técnicos do voo e as conversas dos pilotos, costumam estar situadas na parte traseira do avião.

Não se sabe ainda, no entanto, se as caixas-pretas do vôo AF 447 teriam sido destruídas pelo choque e se poderão ser analisadas, após ficarem quase dois anos no fundo do mar. "Estamos determinados a fazer o máximo, em termos de recursos técnicos, para conseguir analisar as informações das caixas-pretas", disse a porta-voz do BEA.

Robô com 'braços'

O navio francês Ile de Sein, da Alcatel-Lucent Submarine Networks, que será utilizado na quinta fase de buscas, será equipado com um robô com "braços" articulados, comandado por computador.

O navio deverá deixar Cabo Verde, país insular a cerca de 600 km da costa ocidental da África, rumo ao Brasil no dia 21 de abril. A fuselagem do avião da Air France foi localizada em 2 de abril por robôs submarinos que participavam da quarta fase de buscas, encerrada na última sexta-feira.

Os destroços estão a 3,9 mil metros de profundidade a apenas alguns quilômetros ao norte da última posição conhecida nos radares.

O BEA não quer divulgar a localização exata dos destroços, alegando querer proteger o local, o que desagrada os representantes dos familiares das vítimas.

A associação AFVV 447 considerou a reunião da segunda-feira "decepcionante" porque o governo francês se recusou a autorizar a presença de um representante das famílias a bordo do navio na quinta fase de buscas.

A AFVV 447 também contesta o fato de que os corpos e os destroços que serão resgatados fiquem sob a custódia exclusiva das autoridades francesas. Segundo Van Sluys, medidas judiciais serão tomadas para tentar evitar isso.

 * Com AE

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