Exame revela resgate de 50 corpos de vítimas do voo 447, não de 51

O número de vítimas resgatadas do voo 447 da Air France foi reduzido de 51 para 50. A informação foi dada nesta terça-feira, em entrevista coletiva, por representantes da força-tarefa - composta pela Polícia Federal e Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) - responsável pela identificação e autópsia dos corpos.

Agência Estado |

De acordo com o perito da Polícia Federal, Carlos Eduardo Palhares, um fragmento de corpo foi vinculado a uma das vítimas há uma semana. "O perfil do DNA do fragmento era idêntico ao perfil do corpo", afirmou. Este corpo faz parte dos sete ainda não identificados. Politraumatismo por forte impacto, segundo a força-tarefa, foi a causa da morte de todas as vítimas resgatadas.

Dos 50 corpos resgatados, 43 já foram identificados - 17 deles são brasileiros. "Em todos os 50 cadáveres há sinais inequívocos de politraumatismo, múltiplas fraturas de membro superior, e notadamente de membro inferior, além de ruptura de órgãos internos, tanto torácicos como abdominais", explicou o gestor de Polícia Científica da SDS, Francisco Sarmento.

No primeiro balanço das atividades da força-tarefa, seus integrantes se negaram a responder a perguntas sob argumento de que são restritas à investigação das causas do acidente, ocorrido na noite de 31 de maio, com 228 pessoas a bordo. Segundo a força-tarefa, foi feito o levantamento, por exemplo, da localização dos passageiros no avião - se estavam concentrados em determinada área da aeronave ou espalhados.

"Esta informação foi repassada à Aeronáutica, nosso objetivo se restringe à identificação", afirmou Carlos Eduardo Palhares, que também não respondeu se as vítimas se encontravam sentadas.

Sobre a possibilidade de morte por afogamento, após o choque com o oceano, ou antes do impacto, por asfixia, em razão de despressurização, Sarmento resumiu: "O que podemos constatar é que as lesões produzidas por impacto determinaram por si só a causa morte".

Ele explicou que, como todos os corpos foram resgatados depois de alguns dias, todos estavam com os pulmões em estado avançado de putrefação, o que impede a possibilidade de verificar se houve afogamento.

Dos 50 corpos, 10 estavam sem nenhuma veste, enquanto 40 tinham algum tipo de roupa. Vinte e oito deles não tinham nenhum pertence e os outros 22 estavam com algum tipo de objeto, a exemplo de anel, aliança, relógio ou colar. A força-tarefa permanece trabalhando com a Polícia Federal, SDS e Interpol (policia internacional) no cruzamento de dados para a identificação dos sete corpos restantes - todos têm dados de DNA disponíveis.

Como todos já foram necropsiados e passaram por perícias, a área médica e a odontológica foram desmobilizadas. Não há prazo para o término da identificação.

Laudo final

Sobre as reclamações do Escritório de Investigações e Análises (BEA), órgão francês encarregado de investigar as causas da queda do avião, acerca da demora no recebimento dos laudos periciais, os integrantes da força-tarefa explicaram que o laudo final só deve ficar pronto em um prazo estimado de 20 dias e nenhum pedido formal foi feito pela embaixada francesa. "Futuramente, havendo este pedido, não há porque negá-lo", disse o superintendente da PF em Pernambuco, Paulo de Tarso.

Sarmentoj ustificou a demora do laudo final por se tratar de um trabalho minucioso e complexo, que deve ser esclarecedor, sem deixar espaço para dúvidas. "O laudo final não é elaborado por um único perito", explicou. "Há o perito principal, o médico legista, que faz a descrição final, mas, para a construção deste laudo, tem que usar elementos de vários laudos de vários especialistas - papilocopistas, odontogistas - que trabalharam na identificação", afirmou.


Voo 447 da Air France

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