Especialistas divergem sobre causas do desaparecimento do avião da Air France

RIO DE JANEIRO - As possíveis explicações para o desaparecimento do voo 447 da Air France continuam dividindo especialistas em aviação, que levantam diferentes hipóteses ou não descartam nenhuma delas, na tentativa de justificar a pane elétrica do avião, reportada à companhia por meio de mensagens automáticas.

Luísa Pécora e Paola Moura |

Para Antônio Monteiro, oficial de reserva da Aeronáutica, nenhuma informação dada pelas autoridades ou indício encontrado nas buscas é suficiente para que alguma hipótese seja descartada. O que eu posso garantir, como piloto, é que para a tripulação não ter tido tempo de comunicar nenhum problema, algo muito grave aconteceu, afirma. Mesmo quando ocorrem panes, elas são administráveis. O piloto é treinado para minimizar seus efeitos, controlar a aeronave e voar até pousar. Nesse caso, o avião simplesmente desapareceu.

Para Monteiro, os acidentes aéreos decorrem da associação de diferentes problemas. Não é uma causa, são várias causas, vários eventos que vão se acumulando, afirma ele, para quem as fortes turbulências da região podem ter sido um dos fatores que contribuíram para o desaparecimento. O especialista explica que, em tempestades como a enfrentada pelo voo 447 da Air France, formam-se nuvens muito pesadas, com ventos fortes, chuvas de granizo e descargas elétricas que podem danificar o avião.

É difícil um raio derrubar uma aeronave, mas se ela estiver com um vazamento de combustível e for atingida por uma descarga elétrica, por exemplo, pode explodir, afirmou. Dependendo da explosão, o aparelho pode ficar parcialmente danificado e ir caindo até o mar. Por outro lado, uma bomba ou algo mais grave pode danificar todo o avião e espalhar seus pedaços pelo oceano, afirma.

Respício do Espírito Santo Júnior, especialista em análise do mercado de Aviação Civil e professor da Coppe-UFRJ, um dos maiores centros de pesquisa em engenharia da América Latina, acredita que o voo 447 da Air France pode ter sofrido problemas semelhantes aos enfrentados pelo Airbus A330, da companhia australiana Quantas, em outubro de 2008.

De acordo com reportagem da revista "Time", o avião da Qantas cruzava o espaço aéreo da Austrália quando o computador do piloto automático sofreu uma pane e fez com que o avião mergulhasse abruptamente. Segundo o especialista, uma das linhas de investigação das autoridades da Austrália indica que um campo eletromagnético criado por instalações militares americanas no país teriam causado a pane. O mesmo pode acontecer com uma tempestade de raios, afirma. Ela pode criar este campo eletromagnético que provocaria o mau funcionamento da aeronave.

Respício do Espírito Santo Júnior acredita que a diferença fundamental entre os dois casos está no fato de que, quando o incidente ocorreu na Austrália, o céu estava limpo e o avião não enfrentava turbulências. Com isso, o piloto teve tempo suficiente para corrigir o problema, estabilizar a aeronave, seguir a viagem e fazer o pouso de emergência, o que não teria acontecido com o voo da Air France, afirma.

Já o piloto George Scupira, presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (APPA), acredita que a sequência de contatos relatados pelos controladores dão a entender que o avião se partiu no ar e caiu no mar já em pedaços. Assim, segundo ele, a pane nos aparelhos teria sido consequência do rompimento da aeronave.

Às 22h30, o piloto relatou sua posição e disse que voava sem problemas. Meia hora depois, ele relatou que começava a enfrentar turbulências e depois não deu mais sinal, afirma Scupira. Para ele, o avião foi atingido por várias pedras de granizo e bolas de gelo do tamanho de uma laranja, comuns em grandes tempestades, que teriam feito um buraco na aeronave.

O avião deveria ter subido dos 35 mil pés para 37 mil, como estava previsto no plano de voo, mas ele não o fez. Com a despressurização nesta altura, todos teriam morrido imediatamente, afirma. Por isso, em seguida o avião entrou em pane progressiva e começou a dar os sinais de vários aparelhos desligando.

Para Scupira, que foi piloto de aeronaves comerciais por 52 anos, a desintegração do avião explicaria o fato de a caixa que emite sinais para a localização da aeronave não funcionar. Quando há um choque, ela é acionada automaticamente. Mas, como não houve, ela não funcionou. Foi por meio dela que a Aeronáutica conseguiu localizar o avião da Gol no meio da mata, explica.

O especialista conta que entre 30 e 35 voos utilizam a rota do 447 diariamente. A situação vivida por ele foi muito excepcional e, provavelmente, o acidente não se repetirá mais, acredita.

Veja no infográfico a rota do airbus avião da Air France desaparece

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