Especialista afasta hipóteses conclusivas sobre curto-circuito no avião da Air France

Embora alguns profissionais da aviação tenham sugerido que, a partir da pane elétrica - confirmada pela Air France, a aeronave do voo 447 possa ter evoluido para um curto-circuito, o Comandante Ronaldo Jenkins, do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, afasta qualquer conclusão sobre o assunto. Há mil possíveis causas.

Redação com agências |

Veja no infográfico a rota do airbus avião da Air France desaparece

Ele explica que, além de um curto-circuito, o avião pode ter tido "falha de gerador", "problema na afiação", "tempestade", "deslocamento de carga", "raio" entre outros fatores.

O diretor de Comunicação da Air France disse nesta segunda-feira que o mais provavel é que a pane tenha sida causada por um raio, mas também disse que não é comum que acidentes com aviões de grande porte sejam causados por raios. "Eu não sei de nenhum acidente que o avião tenha sido derrubado após ser atingido por um raio", disse Valtécio Alencar, especialista em avião civil.

De acordo com informações da Aeronáutica, o último contato feito pela aeronave com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III) foi às 22h33 de domingo. Nele, o comandante informou que ingressaria no espaço aéreo Dacar-Senegal, às 23h20. De acordo com a companhia, porém, às 23h14, minutos antes do controle aéreo perder o contato com o voo, a aeronave emitiu uma mensagem automática de pane elétrica.

"Já tinha passado por (Fernando de) Noronha às 22h33. Uma hora depois o avião teria que fazer contato por rádio novamente e nesse momento não fez esse contato", disse a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Em função disso entramos em contato com a Ilha do Sal (Cabo Verde). A aeronave também não fez nenhum tipo de contato com eles e nem apareceu no radar", acrescentou.

Segundo a Air France, a aeronave entrou em operação em abril de 2005 e, desde então, já voou 18.780 horas. O comandante da aeronave tinha 11 mil horas de voo em sua carreira e já havia efetuado 1.700 horas no Airbus A330. Ainda segundo a empresa, um dos co-pilotos tinha 3 mil horas de voo e o outro, 6.600.

Imprensa internacional trata sumiço de avião como "mistério"

A palavra "mistério" dominava as manchetes dos jornais franceses nesta terça-feira, após o desaparecimento do Airbus A330 da Air France sobre o Atlântico, com 228 pessoas a bordo, na rota Rio-Paris.

"O avião teria sido vítima de um clima terrível e de panes técnicas?", questiona em seu título principal o diário francês "Le Monde", para quem a reconstituição dos eventos envolvendo o Airbus A330-200 será um "quebra-cabeças".

"Como é possível explicar o silêncio da tripulação e da aeronave?", diz o diário, para quem "esse silêncio implica que a tragédia foi brutal".

Outro diário francês, "Le Figaro", observa a dificuldade das buscas no oceano e comenta que, apesar de a Air France considerar a hipótese de o avião ter sido derrubado por um relâmpago como a mais provável, "outras hipóteses também precisam ser consideradas".

Entre as diversas hipóteses analisadas pelo jornal, com diversos graus de probabilidade, estão turbulências, falhas técnicas e ataque terrorista.

O jornal "Libération" questionava como um raio poderia ter derrubado o avião, quando vários aparelhos são atingidos a cada ano sem danos? "Os mistérios do Rio-Paris" é a manchete.

O site da revista "L'Express" além de noticiar o caso ressalta o esforço brasileiro em encontrar o Airbus.

Imprensas dos Estados Unidos

O americano "The Washington Post" destaca o "mistério" envolvendo a aeronave e questiona: "Como pode um jato tão moderno simplesmente desaparecer?".

"O voo 447 da Air France era um Airbus A330-200, um grande e moderno jato desenvolvido, como o nome implica, para enfrentar qualquer coisa. Mas em algum lugar sobre o Atlântico, na calada da noite, em uma forte tempestade com trovoadas, ele caiu do céu", diz a reportagem.

O também americano "The New York Times" observa que "o desaparecimento de um jato da Air France na rota do Rio de Janeiro a Paris deixou investigadores de acidentes experientes com um mistério para resolver e muito pouca informação com a qual trabalhar".

"Enquanto a busca pelos escombros começou sobre uma vasta porção do oceano entre o Brasil e a costa da África, especialistas lutavam para oferecer teorias plausíveis sobre como um avião moderno, construído para aguentar trancos elétricos e físicos muito mais fortes do que a natureza normalmente oferece, poder ter caído tão silenciosamente e misteriosamente", diz o jornal.

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