Entenda como funcionam as buscas pelo Airbus 330 da Air France

Na tarde desta terça-feira, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que está utilizando 10 aeronaves e cerca de 100 pessoas, além de helicópteros, cinco navios e ajudas internacionais na busca pelo Airbus 330 que efetuava o voo AF 447.

Redação com agências |

O processo de busca do voo AFR 447 está sendo conduzido pelo Salvaero Recife, a partir do Cindacta 3, órgão subordinado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), responsável pela coordenação das buscas da aeronave desaparecida.

O comandante Ronaldo Jenkins, do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, explica por que as buscas são demoradas e complicadas. "Inicialmente, você trata uma área de probabilidade e divide pelos meios disponíveis. Ela pode ser feita indo e voltando com navio e avião. Quando encontram os destroços, passam a buscar o navio, com um sonar, que detecta metais no fundo do mar , mas isso pode demorar".

Ronaldo Jenkins lembra do caso do avião da Varig que caiu no mar em janeiro de 1979 e nunca foi encontrado. "Mesmo com a mobilização internacional, não encontraram o avião. É uma situação extremamente difícil. Você está procurando uma agulha no palheiro".

Até o presente momento, estão envolvidos na operação em torno de 100 pessoas. A Marinha do Brasil também auxilia nas buscas.

O Comando da Aeronáutica informa que mantém, no momento, dez aeronaves disponíveis nas ações de busca e resgate, além de uma aeronave francesa (Falcon 50), e uma aeronave americana P-3 à disposição da coordenação do Salvaero.

No padrão de busca utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), as aeronaves percorrem a mesma rota do voo AFR 447, a partir da posição de reporte da falha técnica.

As aeronaves brasileiras utilizadas são:


As aeronaves de outros países utilizadas são:


Helicópteros:

  • Um helicóptero Blackhawk (H-60 8906) disponibilizado para resgate, pousado em Natal-RN;
  • Um helicóptero Super Puma (H-34 8731) disponibilizado para resgate;


Navios:

  • Um navio patrulha Grajaú;
  • Um Corveta Caboclo;
  • Um Fragata Constituição.

AFP
Modelo do avião que desapareceu dos radares na madrugada desta segunda

O voo

A aeronave da Air France decolou do Aeroporto do Galeão às 19h30. Às 22h33, o vôo AFR 447 realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta) a 565 quilômetros de Natal (RN), informando que ingressaria no espaço aéreo de Dakar (Senegal). Às 22h48, quando a aeronave saiu da cobertura do radar do Cindacta III, de Fernando de Noronha, as informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 11 quilômetros de altitude e a uma velocidade de 840 quilômetros por hora.

No horário estimado para a posição Tasil (23h20), a aeronave não efetuou o contato de rádio previsto com o Cindacta III.

A Air France informou ao Cindacta III, às 08h30, que a aproximadamente 100 quilômetros da posição Tasil, o vôo AFR 447 enviou uma mensagem para a companhia informando sofrer perda de pressurização e falha no sistema elétrico.Às 02h30, o Salvaero Recife acionou os meios de busca da FAB.

Pane elétrica

A hipótese mais provável para o desaparecimento do radar do Airbus A330 é que o avião tenha sofrido uma pane elétrica , após ser atingido por um raio, afirmou Francois Brousse, diretor de Comunicação da companhia aérea francesa. Porém, segundo especialista, não é comum que acidentes com aviões de grande porte sejam causados por raios. "Eu não sei de nenhum acidente que o avião tenha sido derrubado após ser atingido por um raio", disse Valtécio Alencar, especialista em avião civil.

De acordo com informações da Aeronáutica, o último contato feito pela aeronave com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III) foi às 22h33 de domingo. Nele, o comandante informou que ingressaria no espaço aéreo Dacar-Senegal, às 23h20. De acordo com a companhia, porém, às 23h14, minutos antes do controle aéreo perder o contato com o voo, a aeronave emitiu uma mensagem automática de pane elétrica.

"Já tinha passado por (Fernando de) Noronha às 22h33. Uma hora depois o avião teria que fazer contato por rádio novamente e nesse momento não fez esse contato", disse a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Em função disso entramos em contato com a Ilha do Sal (Cabo Verde). A aeronave também não fez nenhum tipo de contato com eles e nem apareceu no radar", acrescentou.

Segundo a Air France, a aeronave entrou em operação em abril de 2005 e, desde então, já voou 18.780 horas. O comandante da aeronave tinha 11 mil horas de voo em sua carreira e já havia efetuado 1.700 horas no Airbus A330. Ainda segundo a empresa, um dos co-pilotos tinha 3 mil horas de voo e o outro, 6.600.

AP
Movimentação de jornalistas no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro

Informações sobre vítimas

A Air France disponibilizou dois pontos de recepção aos parentes dos passageiros, um no salão nobre da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária  (Infraero), no próprio aeroporto, e outro no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. No hotel, mais de 100 quartos ficarão a disposição de parentes que moram em outras localidades.

Durante todo o dia, parentes de passageiros foram ao aeroporto do Rio para ter mais informações. A mãe de uma da passageiras afirmou que ainda estava com esperanças de reencontrar sua filha Adriana Francisco Van Sluijs .

Conforme a nota divulgada pela empresa, os telefones da Air France para atender familiares são: para o Rio de Janeiro: (21) 3212-1806, (21) 3212-1884, (21) 3212-1889, (21) 3212-1894; para todo o Brasil: 0800 881 2020; para a França: 0800 800 812; e para outros países: + 33 1 57 02 10 55. Já a  Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tornou disponíveis dois números de telefone exclusivos para que os familiares obtenham informações: (61) 3366-9303 e (61) 3366-9307.

(*com reportagem de Anderson Dezan e Paola Moura e informações da AFP, AP, e Reuters)

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