Memória da caixa-preta não foi encontrada no primeiro dia da quinta fase de buscas dos destroços do avião

No primeiro dia de buscas por mais destroços dos avião AF 447 da Air France, o robô Remora 6000 localizou o chassi que protege os dados gravados de uma das caixas-pretas, mas a memória do equipamento ainda não foi encontrada, informou o Escritório de Análises e Investigações da França (BEA, na sigla em francês).

Imagem divulgada do chassi da caixa-preta no fundo do Oceano Atlântico
Divulgação
Imagem divulgada do chassi da caixa-preta no fundo do Oceano Atlântico
Na prática, isso significa que apenas a “carcaça” dessa caixa-preta foi encontrada, mas sem o componente que contém os dados técnicos do voo, necessários para desvendar as causas do acidente que matou 228 pessoas.

O robô realizou seu primeiro mergulho na terça-feira e o segundo na manhã desta quarta-feira, diz o BEA. A prioridade desta quinta fase de buscas é localizar as duas caixas-pretas do avião. O voo AF 447 caiu no Atlântico em 31 de maio (pelo horário brasileiro), após decolar do Rio de Janeiro com destino a Paris.

O BEA informou que agora continuam as buscas pela segunda caixa-preta do voo, que pode trazer os diálogos entre os pilotos. Essa caixa-preta também é considerada fundamental para entender os motivos da tragédia.

Robô

A peça encontrada foi apenas o chassi. A memória (module mémoire, na foto) ainda está desaparecida
Divulgação
A peça encontrada foi apenas o chassi. A memória (module mémoire, na foto) ainda está desaparecida
“Durante o primeiro mergulho do robô Remora 6000, que durou mais de 12 horas, o chassi do gravador de voo do avião – Flight Data Recorder, (“gravador de dados de voo”, como é chamada a caixa-preta) – foi encontrado sem o módulo que protege e que contém os dados (o módulo de memória)”, diz o comunicado desta quarta.

O módulo que guarda os dados do voo, que tem a forma de uma pilha redonda de grande tamanho, é denominado Crash Survivable Memory Unit (“unidade de memória que resiste a acidentes”).

Segundo o BEA, o chassi da caixa-preta estava rodeado por destroços pertencentes a outras partes do avião da Air France.

Incerteza

Os investigadores ainda não sabem, no entanto, se as duas caixas-pretas, que contêm os parâmetros técnicos do voo e as gravações das conversas dos pilotos, poderão ser analisadas, após terem ficado quase dois anos submersas a 3,9 mil metros de profundidade.

Pouco antes de embarcar no navio em Dacar, o responsável pela investigação do acidente da Air France, Alain Bouillard, disse que "é um desafio para o BEA poder analisar o conteúdo das caixas-pretas".

"Se tudo der certo, serão necessários vários dias de preparativos para ler o conteúdo delas e talvez várias semanas, se estiverem danificadas", afirmou.

* com BBC Brasil

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