Embarcação com destroços do voo 447 chega ao Porto do Recife

RECIFE - A Fragata Constituição chegou por volta das 10h deste domingo ao Porto do Recife para descarregar destroços e objetos pessoais recolhidos na área de buscas ao airbus da Air France. As peças da aeronave, assim como a bagagem encontrada ficarão sob a responsabilidade do Bureau D¿enquêtes et D¿Analises pour la Securité de l¿Aviation civile (BEA), órgão francês, conforme acordo entre a autoridade aeronáutica francesa e a Companhia Aérea Air France.

Socorro Macedo, especial para o Último Segundo |

Mais de 200 homens estão envolvidos nos trabalhos para retirar as peças do avião da fragata Constituição e, para isso, está sendo utilizado um guindaste do armazém 3 do Porto do Recife. Dois funcionários da Air France estão no local acompanhando a retirada dos destroços, mas eles disseram que não vão fazer declaraçãos à imprensa, pois já foram feitas entrevistas no Rio e há um porta-voz da empresa para isso.

AP
Maior peça do avião retirada nas buscas chega a Recife

Segundo o capitão da fragata Constituição, Marcos Borges Sertã, esta "foi uma missão muito difícil", a primeira desse tipo que ele cumpriu em 25 anos de carreira na Marinha. "A tripulação ficou muito abalada e emocionada". A fragata Constituição estava em Salvador para reabastecimento quando foi chamada para participar dos trabalhos.

Dessa missão, levo a bravura, a valentia e o valor da tripulação, que sempre esteve motivada. A operação no mar é muito complexa, afirmou.

O capitão disse que a ação para resgatar a maior peça ao Airbus, de 14 metros e que seria o leme do avião, demorou seis horas e teve setenta pessoas envolvidas, entre elas dois mergulhadores que amarraram os cabos ao material. Essa parte da aeronave mede 14 metros por 4,5 e, segundo estima o capitão, deve pesar mais de uma tonelada.

Marcos Borges também disse que, para as buscas de corpos e destroços, foram utilizados um helicóptero e três embarcações menores. Dos 13 dias de operação no mar, o período mais difícil foi os dois primeiros dias, quando não se encontrava nada. Ficávamos apreensivos porque a aeronave afirmava um ponto, mas, por causa das correntes marinhas, não encontrávamos os corpos ou destroços quando chegávamos lá, afirmou.

Entre o material recolhido nas buscas também estão outras 12 peças significativas do avião e nove sacos onde estão armazenados pertences pessoais das vítimas. Em respeito aos familiares, o capitão disse que não vai comentar o estado dos corpos.

No último sábado, dia 13, o navio mercante Gammagas, de bandeira Antiguana, realizando o trajeto Uruguai - Reino Unido, encontrou e resgatou parte da estrutura da aeronave acidentada, num ponto distante 415 quilômetros a noroeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo.

Embaixador

O embaixador Pierre-Jean Vandoorne, designado pelo governo da França para coordenar as relações com os parentes das vítimas do voo 447, disse que todos os corpos serão identificados "em menos de dois meses". O governo francês deu um prazo em que, até dois meses, as identificações deveriam ser concluídas.

Pierre-Jean Vandoorne, que esteve no Rio de Janeiro no sábado, dia 13, disse que já tem informações sobre os trabalhos feitos no IML. Sobre as investigações, ele afirmou que elas vão ficar concentradas na Polícia Federal, em Brasília, e que as famílias serão as primeiras a saber de novidades.

O embaixador se reuniu com representantes das Forças Armadas do Brasil. O encontro aconteceu na sede do Cindacta 3, no bairro do Jordão, em Recife. Além de Vandoorne e dos militares, participaram da reunião o cônsul da França no Recife, Yves Lo-Pinto, que já esteve no Cindacta 3 na semana passada e disse à imprensa que veio agradecer o empenho do Brasil nas buscas.

Do Recife, Vandoorne seguirá para Brasília, onde se encontrará ainda com o embaixador francês no País, Antoine Pouillieute, e com outras autoridades brasileiras.

Restrição

No IML do Recife, a área onde os corpos estão sendo examinados foi isolada do resto do órgão e só um pequeno número de pessoas têm acesso à sala onde os peritos estão trabalhando. Segundo informações do Jornal do Commercio, de Pernambuco, há três níveis de acesso, separados por cores. O crachá branco dá acesso apenas a área externa, como os pátios. O amarelo, a algumas salas. O vermelho é que dá acesso a sala onde a necrópsia está sendo feita.


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