Comissão continua, está formada e ninguém desfez, diz parente de vítima

RIO DE JANEIRO - Nelson Faria Marinho, pai de Nelson Marinho Filho, um dos passageiros do voo 447 da Air France, afirmou na tarde desta quinta-feira que a comissão de parentes das vítimas não foi desfeita.

Anderson Dezan e Paola Moura |

"A comissão continua, está formada e ninguém desfez. Não é governo federal, nem estadual e nem municipal que vai derrubar a comissão da gente. É um direito constitucional. Todo cidadão tem direito de se organizar", disse. 

Maarten Van Sluijs, irmão da jornalista Adriana Francisca Sluijs, ex-funcionária da assessoria da presidência da Petrobras que estava no voo 447, disse que vai se encontrar com Christofh Haddad, um representante no Brasil da Confederação Internacional de Vítimas de Acidentes Aéreos. Ele perdeu a filha de 14 anos no acidente da TAM, há dois anos, em 17 de julho de 2007.

De acordo com Maarten, o objetivo do encontro é conhecer antecipadamente o processo jurídico e de investigação para agilizarem os procedimentos. Para tanto, pretende convidar outros parentes para a comissão.

Na noite desta quarta-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou uma nota, afirmando que os parentes dos passageiros do voo da Air France haviam informado que não existe uma comissão formada para representar as famílias dos passageiros.

Nelson Marinho explicou, no entanto, que todos os integrantes concordaram com a comissão. "Todos os nomes que estavam na lista da comissão foram informados e aceitaram participar. Ninguém ficou alheio e ninguém foi enganado".

Ele informou ainda que o grupo não tem somente o objetivo de conseguir a viagem dos parentes para Recife. "Ela servirá para nos resguardar, para a gente se organizar e decidir ações no futuro", completou.

Maarten também acredita que a união seria positiva para as pessoas. "Acho importante fazer comissão agora porque depois o grupo vai se dispersar", afirmou.

Para ele, a Anac só se pronunciou porque algumas pessoas que não se sentiram bem representadas entraram em contato com a agência. "Não sei porque a Anac se prestou a fazer esse papel. Acho que não é papel da Anac falar em nosso nome. Pelo menos no meu eu não autorizo. Eu não dei nenhum tipo de procuração para a Anac falar dos meus interesses".

De acordo com Maarten, cerca de 30 a 40 pessoas demonstraram interesse em integrar a comissão. Doze teriam sido escolhidas. "Não pode 40 falar em nome de 50. Não é razoável isso.

Espera por informações

Segundo Nelson Marinho, as famílias aguardam mais informações sobre as buscas. "É lamentável que o governo francês não esteja divulgando informações. Eles estão divulgando pouco do que sabem. É falta de responsabilidade e vou cobrar o ministro [das Relações Exteriores] quando ele vier aqui. Eu tenho direito de cobrar, eu perdi meu filho", disse.

Durante a declaração feita na tarde desta quinta-feira à imprensa, Marinho também expressou ainda ter esperanças de que encontrem sobreviventes. "A esperança continua. Eu não posso perdê-la. Meu filho tinha curso para sobreviver embaixo d'água", afirmou, referindo-se ao trabalho do passageiro, que era técnico de manutenção de uma plataforma de petróleo. 

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