'Com esse funeral, encerramos a vida do meu filho', diz pai de vítima do voo 447

Corpo de mecânico de engrenagens Nelson Marinho, que tinha 40 anos no dia do acidente, foi sepultado esta tarde no Rio

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Jadson Marques/Agência Estado
Nelson Faria Marinho fez uma tatuagem no braço do rosto do filho, morto no acidente da Air France
Foi enterrado na tarde desta segunda-feira (5), no cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, na zona oeste do Rio de Janeiro, o corpo do mecânico de engrenagens Nelson Marinho. Ele foi uma das vítimas do acidente com o avião que fazia o voo 447 da Air France . Todas as 228 pessoas a bordo morreram. "Estamos encerrando com esse funeral a vida do meu filho", disse Nelson Faria Marinho, pai da vítima e presidente da associação dos familiares das vítimas da tragédia.

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Anderson Dezan
O corpo de Nelson Marinho foi enterrado dois anos e meio após o acidente aéreo
A aeronave Airbus A-330 caiu no Oceano Atlântico na noite do dia 31 de maio de 2009 quando fazia o trajeto Rio de Janeiro-Paris. Nelson Marinho tinha 40 anos na data do acidente e seguia para Angola. Ele trabalhava em uma empresa italiana de exploração de petróleo e iria visitar uma das bases da companhia no país africano.

Na época do acidente, o pai do mecânico de engrenagens chegou a afirmar que tinha esperança de encontrar o filho vivo, pois ele tinha feito curso de mergulho na Holanda para trabalhar em platarformas de exploração de petróleo.

"Esperança de um pai que perde o filho é a última que morre. A tragédia, no entanto, foi muito grande. Minha esperança foi acabando com um tempo e, hoje, estou diante do caixão com o corpo do meu filho", lamentou Nelson Faria Marinho.

Questionado sobre qual seria a principal lembrança deixada pelo seu filho, Nelson Faria respondeu imediatamente. "A lembrança é essa", disse, mostrando a tatuagem que fez do rosto do filho no braço. "Nessa imagem, ele tinha seis anos. Para um pai, um filho nunca cresce", completou o pai do mecânico de engrenagens, muito emocionado.

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O sepultamento foi acompanhado por cerca de 30 familiares e amigos. Antes do enterro, foi entoada uma marcha fúnebre e flores foram jogadas sobre o caixão. "A gente cerca o filho de carinho, dá tudo de bom e ele se vai de uma para a outra. Minha revolta é muito grande", disse Nelson Faria Marinho. "Se existe outro lado, eu me proponho a encontrar contigo", declarou o pai da vítima, olhando para o caixão.

O corpo de Nelson Marinho é um dos 18 de vítimas brasileiras do acidente que já foram identificados e começaram a chegar ao Brasil desde o último final de semana. O pai do mecânico de engrenagens informou que a Associação dos Familiares das Vítimas do voo Air France 447 já entrou com o pedido junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica (Cenipa) realize uma investigação da queda do Airbus A-330 paralela a feita pelo governo francês.

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