Ato ecumênico reúne parentes e amigos de passageiros do voo 447

RIO DE JANEIRO - Parentes e amigos de passageiros do Airbus 330, da Air France, que sofreu acidente na noite de domingo (1), foram à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, para um ato ecumênico com representantes de oito religiões, em memória das vítimas. A missa, que começou às 10h30 desta quinta-feira, reuniu cerca de 500 pessoas.

Anderson Dezan e Paola Moura |


Em solidariedade às famílias, participaram da cerimônia o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o chanceler francês Bernard Kourchner, além de outras autoridades do Brasil e da França. Nesta quarta-feira (3), ocorreu também um ato ecumênico na Catedral de Notre-Dame , em Paris, em memória dos desaparecidos.

AFP
Missa na Candelária

Ato ecumênico realizado na Igreja da Candelária

Dom Antonio Orleans e Bragança, pai de Pedro de Orleans de Bragança , herdeiro mais velho da família real, que estava no voo 447, disse que "a família está reagindo bem porque tem muita fé". Ele afirmou ainda que "Pedro era muito religioso".

O pai explicou que, quando acordou às 7h da manhã de segunda-feira, viu a notícia no jornal e sentiu pena pelas mortes, sem saber, no entanto, que seu filho estava entre os passageiros. Depois, quando soube, ficou chocado. 

Sérgio Cabral, além de prestar solidariedade, relembrou colegas próximos. "Eu entro nessa missa na condição de governador, mas também com o coração de amigo. Eu conheço muitas dessas pessoas que estavam neste acidente trágico e, com algumas, eu convivia com frequência".

Ele também defendeu uma investigação mais aprofundada do caso e disse que pessoas devem ser responsabilizadas. "Deve-se fazer uma investigação profunda do ponto de vista técnico sobre esse caso. As autoridades internacionais, a empresa aérea e o fabricante do avião têm muito a explicar. Eu acredito que há responsáveis por esse assunto".

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, compartilhou as dores dos parentes. "Hoje me sinto um dos familiartes porque perdi um amigo . É hora de acreditar que Deus existe e que Ele está olhando por nós".

Ao fim da missa, emocionado, preferiu ler um texto. "A dor mais intensa é a dor das famílias, mas todos nós sentimos a perda. Segunda-feira foi um dia chuvoso. Acho que a chuva são as suas lágrimas (de Marcelo Parente ) ou então ela serve para camuflar as nossas. Acredito trer perdido um amigo que há alguns anos me acalmou e até me salvou em um momento difícil". O prefeito, no entanto, emocionado, não conseguiu terminar de ler. Eduardo Paes era a mais emocionada das autoridades.

Culto ecumênico reúne famílias do voo 447

"Ao ouvir o prefeito falar de seu amigo, eu pensei que todos nós tínhamos amigos aqui, mesmo que não os conhecêssemos", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kourchner. "Nada mais parecido com as famílias que vi em Paris do que as famílias que encontrei aqui. O caminho que vai de Paris ao Rio é de alegrias. Compartilhamos muitas coisas com os brasileiros. Gostamos da vida. Em ambos os lados do Atlântico, a dor é a mesma".

Celso Amorim disse que foi prestar solidariedade aos familiares das vítimas. Eu expressei, em nome do presidente Lula, o sentimento de dor e solidariedade com os familiares e a perplexidade diante das fatalidades, sobretudo numa rota tão mágica que une o Rio de Janeiro a Paris, avaliou

Segundo Amorim, duas cidades que têm em comum características como o convívio cultural, o convívio humano e a alegria não podem ficar marcadas para sempre pela tristeza desta tragédia. A saudade destes que partiram vai continuar servido de inspiração para as nossas vidas".

Familiares

Antes da missa, a prima do maestro Silvio Barbato , passageiro do voo 447, Ana Cláudia Bonacorsi, disse que tanto ela como os outros parentes ainda têm esperanças. "Acreditamos que ainda tem gente viva e que eles vão voltar". Emocionada, leu um poema que escreveu para o primo. "Só quem sente, pode saber o que estamos passando"

Já Mauro Chaves, da família de Adriana Henriques , turismóloga de 27 anos que estava indo pela primeira vez à Europa, é mais racional. Para ele, "de acordo com a lógica, os parentes não devem ter tanta esperança". A família de Adriana está preparando uma outra missa, particular, para daqui a dez dias. "Só Deus para dar conforto diante de uma tragédia como essa", disse.

Lívia froffard, amiga da passageira  Adriana Van Sluijs (que era assessora de imprensa da Petrobras e madrinha das filhas de Lívia), disse que ainda se recorda muito da amiga. "A gente ainda tem a imagem dela viva na cabeça. Ela vivia intensamente. Eu fico imaginando que ela estava em um botinho em alto mar. A gente não perde a esperança nunca".


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