Ajuda de Dilma é fundamental no caso Air France, diz procurador

Ministério Público faz investigação paralela sobre o acidente e diz depender de dados do Cenipa, da Aeronáutica, para apurar caso

Renata Baptista, iG Pernambuco |

A Procuradoria da República em Pernambuco (PRPE), órgão vinculado ao Ministério Público Federal (MPF), está desenvolvendo uma investigação paralela sobre o acidente do avião da Air France em 2009. Ela está solicitando a intervenção da Procuradoria Geral da República (PGR) para que o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) auxilie na apuração dos fatos.

De acordo com o procurador da República Anderson Vagner Gois dos Santos - responsável pelo inquérito, que corre sob sigilo -, o Cenipa, que é um órgão ligado à Aeronáutica, negou-se a auxiliar nas investigações sob o argumento de que o acidente teria ocorrido em águas internacionais.

Para o procurador, é essencial a participação do Cenipa para entendimento das provas que estão sendo coletadas. Ele explicou que apenas a presidenta da República, Dilma Rousseff, pode pedir a ajuda das Forças Armadas, das quais o Cenipa faz parte. O órgão é vinculado à Aeronáutica.

O avião, que fazia o voo 447 do Rio de Janeiro a Paris, caiu em junho de 2009 no oceano Atlântico, com 228 pessoas a bordo.

O inquérito na PRPE teve início após o pedido da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 (AFVV447) à PGR, que repassou o caso para Pernambuco, uma vez que o arquipélago de Fernando de Noronha é a região mais próxima do acidente.

Em audiência realizada em março com o procurador Anderson Vagner Gois dos Santos, representantes da AFVV447 o entregaram um relatório com 750 folhas elaborado por um sindicato de pilotos franceses. O documento aponta para falhas de construção e de manutenção do avião.

Segundo o procurador, desde o primeiro instante o Ministério Público Federal tem acompanhado e auxiliado as investigações realizadas pela Justiça Francesa e já foram realizadas duas diligências conjuntas entre o MPF em Pernambuco e as autoridades francesas. Ele disse ainda que solicitou o compartilhamento de todas as provas produzidas pela Justiça Francesa, entre elas, o relatório referente às buscas no mar.

"Fica evidente que o Ministério Público continuará a atuar não só visando a responsabilização de eventuais culpados pelo acidente com o voo Air France 447, bem como para que tragédias como essa não venham a se repetir", afirmou o procurador.

A investigação oficial do acidente é conduzida pelo Escritório de Investigações e Análises sobre Aviação Civil (BEA, na sigla em francês), órgão do governo francês. Em março, a Airbus e a Air France foram indiciadas por homicídios culposos na investigação sobre o acidente.

No último domingo, o governo francês informou que foram encontrados corpos de vítimas do acidente durante a quarta etapa de buscas aos destroços da aeronave, que teve início em 25 de março.

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