“A dor da saudade é eterna”, diz mãe de vítima de voo 447

Missa no Rio homenageou os mortos no acidente aéreo ocorrido há dois anos

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Cerca de 100 familiares e amigos participaram na manhã desta quarta-feira (1) de uma missa em homenagem às vítimas do acidente com o voo AF-447 da Air France , na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, zona sul do Rio. A cerimônia religiosa durou aproximadamente 40 minutos e a imprensa não teve acesso ao local.

Emocionada, a professora Esther Van Sluijs foi uma das poucas presentes que conversou com os repórteres. Sua filha, a jornalista Adriana Francisca Van Sluijs, embarcou no voo AF-447 tendo como destino a Coreia do Sul. Ela trabalhava na Petrobras e estava indo para a inauguração de um navio da empresa petrolífera.

“A dor da saudade é eterna”, afirmou Esther. “Quando encontraram as caixas-pretas, os sentimentos voltaram à tona. É como se tivessem tocado na ferida”, completou a professora.

O corpo de Adriana foi encontrado em 2009 e sepultado. Para Esther, esse ritual ajudou a amenizar a dor da perda. “Minha filha era uma pessoa muito amorosa. Costumo dizer que as pessoas têm defeitos e qualidades, mas não via defeito nela. Parecia que nem era desse mundo”, avaliou, completando que a jornalista embarcaria no dia 25 de maio de 2009, mas teve a viagem adiada para o dia 31, pela Petrobras.

Ao contrário de Esther, José Macário e a mulher Maria Esther Lopes não sepultaram o filho, o procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello. Mas também não querem. O filho deles havia se casado um dia antes do acidente aéreo e seguia para a França em lua-de-mel com a mulher, a médica Bianca Cotta.

"Não quero que resgatem os corpos. Os dois morreram juntos e prefiro que fiquem juntos", disse, emocionada, Maria Esther, na saída da missa. Ela carrega no peito um pingente com a foto do filho e da nora. "É muito dolorido rever tudo isso. Passar por esse filme novamente. É muito sofrimento", avaliou José Macário.

Após a cerimônia religiosa, os familiares e amigos seguiram para o memorial às vítimas no penhasco do Parque Dois Irmãos, no Leblon, também na zona sul do Rio. Lá, eles colocaram flores no memorial, que possui os nomes das vítimas na base. Em Paris, foi realizada nesta quarta-feira (1) uma cerimônia semelhante no Cemitério Père Lachaise.

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