'Não mudou nada', diz presidente de associação de parentes vítimas do voo 447

Parentes receberam documentos da conclusão das investigações do acidente com avião que fazia trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris. Segundo filha de presidente de associação, "relatório diz a mesma coisa que o anterior"

Mário Camera - especial de Paris para o iG | - Atualizada às

Os familiares das vítimas do acidente com o avião da Air France que fazia o voo 447 , entre o Rio de Janeiro e Paris, no dia 31 de maio de 2009, receberam nesta quinta-feira, na França, o relatório final com as conclusões das investigações sobre a queda da aeronave feita pelo Escritório de Investigação e Análise (BEA). De acordo com o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas do Voo 447, Nelson Faria Marinho, pai do mecânico de plataforma petrolífera Nelson Marinho, um dos passageiros, o relatório final "não mudou nada".

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Agência Estado
Nelson Faria Marinho, pai da vítima Nelson Marinho

Emocionado, em rápida entrevista ao iG após a reunião em que foi apresentada o relatório, Marinho afirmou que os parentes das vítimas e o BEA fizeram um acordo para que as conclusões fossem divulgadas para a imprensa apenas durante a entrevista na sede do orgão francês , que ocorreu nesta manhã (horário de Brasília). Quando perguntado se o relatório trazia informações sobre possíveis falhas técnicas do avião, Marinho disse que a "tendência é outra". O relatório anterior divulgado pelo BEA apontou que falhas dos pilotos foram as principais causas para a queda.

Para a filha de Marinho, Keiko Marinho, que esteve com o pai na reunião, o relátorio aponta para as mesmas causas já mencionadas no documento divulgado em julho do ano passado. "Estou decepcionada, o relatório diz a mesma coisa que o anterior". Keiko ainda reclamou da organização para a divulgação do relatório. Segundo ela, o BEA não permitiu que o representante das famílias brasileiras na França, Gerard Arnoux, estivesse presente na reunião, o que dificultou a tradução do relatório para alguns familiares.

Arnoux, que tem 17 anos de experiência como piloto da Air France e é ex-presidente do sindicato dos pilotos da companhia, afirmou que, segundo informações passadas por familiares, uma novidade apresentada pelo relatório é que o BEA admite que os pilotos foram induzidos ao erro pelo instrumento de voo que deve ser sempre seguido pelos pilotos.

Mas alguns familiares também deixaram a reunião sem reclamar. O canadense John Clemes, que perdeu o irmão no acidente com o voo em 31 de maio de 2009, afirmou que está "satisfeito com o relatório" apresentado. "O BEA fez um bom trabalho", afirmou.

Relatório preliminar

No relatório preliminar divulgado em julho do ano passado, dois meses após as duas caixas pretas do Airbus A330 terem chegado à França para serem analisadas, o BEA deu destaque aos erros dos pilotos na tragédia .

Segundo o órgão, os pilotos cometeram uma série de erros e o acidente poderia ter sido evitado se eles tivessem tomado as medidas adequadas. Mas, ao mesmo tempo, o BEA negou que falhas humanas tenham sido a única causa do acidente. Jean-Paul Troadec disse, na época, que o órgão tentava entender os motivos que levaram os copilotos (que estavam no comando) a levantar o nariz da aeronave para tentar ganhar altitude no momento em que o Airbus despencava. O procedimento normal teria sido o inverso, ou seja, baixar o nariz do avião para que ele recuperasse sua sustentação.

A análise das duas caixas pretas também permitiu descobrir que o avião da Air France despencou de uma altura de 11 mil metros em apenas três minutos e meio . A velocidade de queda foi de 200 km/h.

As conversas dos pilotos nos últimos instantes do acidente revelaram que eles não conseguiam saber se o avião estava descendo ou subindo em razão da perda dos dados da velocidade da aeronave , causada pelo congelamento dos sensores da sondas pitot.

O avião, um Airbus A330 da companhia aérea Air France, caiu nas águas do Atlântico quase quatro horas após ter decolado do Aeroporto do Galeão com 216 passageiros a bordo, a maior parte deles franceses e brasileiros, e 12 membros da tripulação. Veja abaixo como foram os momentos que antecederam a queda: 

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