Comandante do voo 447 estaria em companhia de uma mulher, diz TV

Diretor da BEA minimiza em entrevista à ABC News a presença de acompanhante porque, segundo ele, isso não teria influenciado no acidente

iG São Paulo | - Atualizada às

O comandante do voo AF 447 , cujo acidente matou 228 em junho de 2009, estaria em companhia de uma comissária de bordo que estava em seu dia de folga quando o Airbus da Air France enfrentou problemas na rota Rio de Janeiro-Paris que levaram à queda da aeronave em pleno Oceano Atlântico, informou a rede de TV dos Estados Unidos ABC News.

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Segundo a ABC News, duas fontes independentes teriam confirmado a informação de que Veronique Gaignard acompanhava o Marc Dubois na viagem.

Jean-Paul Troadec, diretor da BEA (autoridade francesa que conduz as investigações sobre o acidente), afirmou à ABC News que o fato não faz parte das investigações porque a agência não está interessada na “vida particular do piloto”. Segundo ele, a presença de Veronique não teria influenciado no acidente.

Dubois estava em seu período de descanso quando os sensores de velocidade (os pitots) congelaram e o piloto automático desconectou. Chamado várias vezes, como revelam os diálogos da caixa preta, o comandante levou pouco mais de um minuto para retornar à cabine.

Procurada pela ABC News, a Air France se recusou a dar entrevista antes do relatório final das investigações da BEA, previsto para 5 de julho.

O acidente

O relatório divulgado pelo BEA no fim de maio deste ano, produzido após a análise das caixas-pretas, permitiu reconstituir os últimos instantes de voo, mas as causas exatas do acidente ainda eram desconhecidas. Segundo a sequência dos fatos, cerca de dois minutos após o início dos problemas - os incidentes na cabine ocorreram entre 2h10 (23h10 do dia anterior em Brasília) e 2h14 (23h14) - o avião, que estava a uma altitude de 35 mil pés (cerca de 11 mil metros), começou a cair a uma velocidade vertical de 10 mil pés (3 mil metros) por minuto. A aeronave também começou a oscilar, subindo e descendo devido às rajadas de vento. Leia o diálogo dos pilotos e o histórico do voo.

Com o piloto automático desligado, os pilotos, por três minutos e meio, tentaram, por meio de manobras no manche, reverter a queda. O Airbus chegou a subir a 38 mil pés (11,5 mil metros), até que o alarme de perda da altitude disparou e o avião começou a cair novamente. Ainda segundo o relatório parcial, a queda da aeronave durou cerca de três minutos e trinta segundos - durante a descida, o airbus permaneceu em situação de perda de altitude, girando da esquerda para a direita. Neste momento, o avião estava posicionado a 35 graus (inclinação de queda).

Os últimos valores registrados pelas caixas-pretas são velocidade vertical de -10.912 pés/min, velocidade de solo de 107 nós (estava a 197,95 quilômetros por hora quando bateu no mar), altitude de 16,2 graus de elevação do nariz (bico da aeronave inclinado para cima), rolagem (curva) de 5,3 graus à esquerda e um rumo magnético de 270 graus (direção da aeronave apontava para oeste. Pela rota original, Paris fica a leste).

Até então, as investigações apontavam que um defeito nas sondas de velocidade (sensores) Pitot foi um dos fatores do acidente, mas sempre afirmou que a explicação definitiva só poderia ser conhecida quando fossem totalmente analisadas as caixas-pretas. Segundo as autoridades, o mau funcionamento das sondas não explicava por si só o acidente.

Após o acidente, a justiça francesa abriu uma investigação judicial na qual o construtor aeronáutico europeu Airbus e a Air France foram acusados em março por homicídio culposo.

As duas caixas pretas - que registram os parâmetros de voo e as conversas na cabine dos pilotos - foram trazidas à superfície no início de maio deste ano , depois de passar 23 meses a 3.900 metros de profundidade no Oceano Atlântico. Elas foram encontradas durante a quarta operação de buscas dos destroços, quando o navio americano Alucia chegou à área das operações com previsão de explorar uma área de 10 mil quilômetros quadrados. As três operações de buscas realizadas anteriormente já haviam vasculhado outras áreas que totalizaram cerca de 7 mil quilômetros quadrados.

Cinquenta corpos foram recuperados logo após o acidente. Outros 104 chegaram à França em meados de junho . Entre as vítimas, de 32 nacionalidades, estão 72 franceses e 59 brasileiros.


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