'Não existe prova de que ele está morto', diz parente de desaparecido no voo 447

Irmão mantém esperança e descarta revolta por acidente do voo 447, que completa 3 anos nesta quinta-feira

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Servílio Silveira de Souza, 51 anos, é daquele tipo de pessoa que não se deixa abater pelas adversidades da vida. Paciente, ele prefere cultivar a fé a dar espaço para a revolta em momentos difíceis da vida. É com fé que ele encara a perda do irmão, o engenheiro Hilton Jadir Silveira de Souza, 52 anos, no acidente do voo 447 da Air France, no dia primeiro de junho de 2009. A falta de uma prova para constatar a morte do engenheiro, leva Servílio a cultivar, além da fé, a esperança.

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“Para quem acredita em Deus, há um ditado que diz: a esperança é a última que morre. Não podemos perder a esperança nunca. Não existe prova de que ele está morto”, diz o irmão do engenheiro, que mora no norte de Minas, na cidade de Montes Claros, a 425 quilômetros da capital do Estado, Belo Horizonte.

Engenheiro da Petrobras há 20 anos, Hilton seguia uma trajetória de sucesso após mudar-se da cidade mineira para o Rio de Janeiro, onde morava com a esposa e dois filhos. Entre três pessoas de Minas Gerais que embarcaram no voo, ele foi o único a não ter seu corpo localizado em buscas. Para seu irmão, entretanto, não há espaço para mágoas em não realizar um enterro.

Servílio contou ao iG que a última lembrança do irmão remonta a um churrasco realizado dias antes do acidente com o voo da Air France, em Montes Claros, na casa da mãe deles. Ele lembra que o irmão era muito ligado a família e sempre visitava os parentes.

O relatório final sobre o acidente, em que 228 pessoas morreram, deve ser publicado em julho . Com os resultados das investigações poderá ser possível responsabilizar culpados pela tragédia, mas Servílio não pensa em Justiça, apenas resignação.

“Precisamos respeitar a vontade de Deus. Não é porque aconteceu uma coisa dessa, que eu terei raiva. Deus faz as coisas da melhor maneira, apesar de não entendermos às vezes. Espero manifestação dos peritos para tentar entender o que aconteceu”, diz sobre a divulgação do laudo sobre o acidente.

O acidente levou à queda do airbus A330 da Air France nas águas do Altlântico após quatro horas de voo. O avião decolou do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com 216 passageiros, grande parte franceses e brasileiros, e 12 integrantes da tripulação.

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