Famílias das vítimas do voo AF 447 aguardam desconfiadas relatório final

"Temos grandes suspeitas em relação às conclusões finais que serão divulgadas”, diz o presidente da associação francesa de familiares

BBC Brasil |

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Três anos após o acidente com o voo AF 447 da Air France – que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris e caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio de 2009, matando todas as 228 pessoas a bordo – os familiares das vítimas aguardam as conclusões finais sobre as causas da tragédia com um sentimento de desconfiança em relação às investigações.

Veja o especial da queda do voo 447

O BEA (Escritório de Investigações e Análises, na sigla em francês), ligado ao Ministério dos Transportes da França, informou que irá divulgar em 5 de julho o relatório final das investigações técnicas sobre o acidente.

“O BEA tem apontado, em suas últimas declarações, a ação dos pilotos para tentar explicar a queda do avião. Essa posição é favorável à Airbus. Temos grandes suspeitas em relação às conclusões finais que serão divulgadas”, disse à BBC Brasil Robert Soulas, presidente da associação francesa Ajuda Mútua e Solidariedade, que reúne familiares das vítimas.

“As investigações precisam determinar quais são as causas técnicas do acidente e como elas influenciaram a ação dos pilotos”, diz Soulas, que conseguiu apenas recuperar o corpo de seu genro morto na catástrofe, mas não o de sua filha.

“Queremos a verdade. Esperamos que eles não culpem os pilotos. Os aviões da Airbus já tinham enfrentado inúmeros problemas antes desse acidente e continuaram apresentando falhas e registrando vários incidentes depois”, afirma Nelson Marinho, presidente da associação brasileira AFVV447.

“Temos desconfianças porque o governo francês é acionista da Airbus e da Air France e o BEA é ligado ao governo. Não há isenção para realizar as investigações”, diz Marinho.

Relatório preliminar

Em um relatório preliminar divulgado em julho do ano passado, dois meses após as duas caixas pretas do Airbus A330 terem chegado à França para serem analisadas, o BEA deu destaque aos erros dos pilotos na tragédia.

Segundo o órgão, os pilotos cometeram uma série de erros e o acidente poderia ter sido evitado se eles tivessem tomado as medidas adequadas. Mas, ao mesmo tempo, o BEA negou que falhas humanas tenham sido a única causa do acidente.

O diretor do BEA, Jean-Paul Troadec, havia declarado na época desse relatório intermediário que o órgão tentava entender os motivos que levaram os copilotos (que estavam no comando) a levantar o nariz da aeronave para tentar ganhar altitude no momento em que o Airbus despencava.

O procedimento normal teria sido o inverso, ou seja, baixar o nariz do avião para que ele recuperasse sua sustentação.

A análise das duas caixas pretas também permitiu descobrir que o avião da Air France despencou de uma altura de 11 mil metros em apenas três minutos e meio. A velocidade de queda foi de 200 km/h.

As conversas dos pilotos nos últimos instantes do acidente revelaram que eles não conseguiam saber se o avião estava descendo ou subindo em razão da perda dos dados da velocidade da aeronave, causada pelo congelamento dos sensores.

Os representantes dos parentes das vítimas dizem esperar que, além de revelar as causas exatas da tragédia, a conclusão final dos investigadores também permita fazer recomendações técnicas para melhorar a segurança do setor aéreo e evitar novos acidentes.

Homenagens

Nesta sexta-feira, homenagens às vítimas do acidente com o voo AF 447, organizadas pela Air France, serão realizadas em Paris, no cemitério do Père-Lachaise, e no Rio de Janeiro.

A queda do avião, cerca de quatro horas após decolar do Rio, ocorreu na noite de 31 de maio no horário brasileiro, mas na madrugada do dia 1° de junho no horário francês.

A Justiça francesa, que também investiga o acidente para determinar as responsabilidades penais da tragédia e indiciou a Airbus e a Air France por homicídio culposo, deverá concluir seu relatório judicial no dia 30 de junho.

Os familiares se reunirão com a juíza responsável pelas investigações no dia 10 de julho, cinco dias após a divulgação do relatório final do BEA sobre o acidente

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