Vitória de Dilma não "interfere" no governo de MS, diz Puccinelli

Governador reeleito entende que petista, caso vença, tem que 'governar para todos'

Alessandra Messias. iG Campo Grande |

A eventual vitória de Dilma Rousseff (PT) na corrida pela Presidência da República “não vai interferir em nada” no novo governo Andre Puccinelli, que apoia mais ostensivamente José Serra (PSDB) no segundo turno.

A afirmação é do próprio governado reeleito em primeiro turno no último dia 3 de outubro. 

A maior parte das pesquisas recentes aponta vitória da petista no segundo turno por uma diferença de 12 a 15 pontos percentuais sobre o oponente José Serra (PSDB). 

Segundo o governador, caso vença o pleito, a “ex-fada-madrinha” – como Puccinelli se refere a Dilma – “terá de governar para todos”, entendimento que é repetido por ele durante entrevistas.

“Todo ser humano tem que ter posição”, disse Puccinelli sobre sua decisão de apoiar Serra, o PMDB que é seu partido está na coligação de Dilma Roussef, em âmbito nacional.

Puccinelli faz uma campanha presidencial calma, mas na presença do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), chamou os petistas de “mentirosos e safados” e fez duras críticas ao presidente Lula.

No contra-ataque aos petistas e à pesquisa Datafolha que assegura a vitória de Dilma de 49% para Dilma contra 38% para Serra, a senadora Marisa Serrano (PSDB) confirma que seu PSDB já registrou na Justiça Eleitoral pesquisa interna do partido que mostra Dilma Rousseff (PT) com 53,2% das intenções de votos contra 46,8% de José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República.

A pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje mostra que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 58,6% da intenções de votos válidos, superando o candidato José Serra (PSDB), que aparece com 41,4%. Na espontânea, Dilma tem 50,4% das intenções de voto e Serra, 35,7%.

Na rua, o movimento petista puxado pelo senador Delcídio do Amaral (PT) comanda a caminhada pró-Dilma esta tarde pelas ruas de Dourados. Na cidade, o PT dirigido por Marcus Garcia, organiza uma plenária na sede do Diretório Municipal.

Enquanto Delcídio movimenta o circo petista, o ex-governador Zeca do PT continua mantendo-se longe da agenda oficial do movimento Pró-Dilma. Ele opta por ações isoladas, e preferencialmente longe do senador Delcídio do Amaral. 

Sempre ‘trocando farpas’ entre si, Delcídio e Zeca estão em lados opostos na executiva petista, rachando a legenda no Estado.

Usina nuclear

No último sábado, o Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Mato Grosso do Sul entregou uma carta de reivindicações ao PSDB.

No documento, o Fórum solicita ao candidato José Serra que não permita a instalação de usinas nucleares em MS e de álcool em toda a planície pantaneira e na bacia do Alto Paraguai.

Haroldo Borralho, representante do Fórum, destacou que os pedidos serão entregues ao PT, para serem encaminhados à candidata Dilma Rousseff. “Já falei com o presidente municipal João Rocha e com o regional Marcus Garcia”, salientou.

A preocupação com relação às usinas nucleares não é à toa. A Eletrobrás Eletronuclear desenvolve estudo em todo o território nacional e seleciona locais para implantar usinas nucleares por meio do Plano Nacional de Energia para o Horizonte 2030. 

Contudo, 45 organizações não-governamentais se manifestaram contra o projeto no Estado.

Os ambientalistas elaboraram dez pontos básicos para o estabelecimento das diretrizes de uma gestão ambiental adequada. 

Já receberam o documento que será encaminhado a José Serra os senadores: Marisa Serrano e Valter Pereira (PMDB), o deputado estadual Reinaldo Azambuja e o deputado estadual eleito Marcio Monteiro, ambos do PSDB.

Veja a lista de pedidos aos presidenciáveis:

1 – Não instalação de usinas nucleares em Mato Grosso do Sul, ao contrário do que preconiza a Eletrobrás/Eletronuclear;
2 – Não instalação de usinas de álcool em toda a planície pantaneira e na bacia do Alto Paraguai;
3 – Implantação de uma política efetiva de recuperação do solo das áreas degradadas, priorizando as áreas de preservação permanente;
4 – Adoção de políticas que desencorajem o desmatamento, estimulando e investindo em novas tecnologias para o aumento de produtividade nas áreas já utilizadas;
5 – Estabelecer como objetivo estratégico á geração de trabalho e renda, de atividades sustentáveis;
6 – Fortalecimento dos fundos ambientais (Fundo Nacional de Meio Ambiente – FNMA Fundo Nacional de Recursos Hídricos, etc) e aplicação dos recursos arrecadados nas finalidades previstas em lei; Exigindo, por parte da união, que os estados membros regulamentem os Fundos sob sua responsabilidade, para fins propostos em Lei;
7 – Fortalecimento da Política Nacional d Educação Ambiental focando a rede de ensino no nível fundamental e médio;
8 – Criar novas áreas de preservação, tendo como base a Lei de Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, e incentivar a criação de áreas particulares de preservação;
9 – Proteção de mananciais superficiais e subterrâneos, identificando e protegendo as áreas de nascentes e recarga de mananciais;
10 – Fortalecimento a aplicação de Política Nacional de resíduos Sólidos e de Saneamento.


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