Obama não declarou apoio ao Brasil em CS da ONU, mas houve avanço

Governo brasileiro diz não ter frustração, porque conseguiu incluir "apreço" de Obama por objetivo nacional em declaração conjunta

Danilo Fariello, iG Brasília |

AP
Comunicado sobre Conselho de Segurança trouxe alento para governo brasileiro
O Brasil não ficou totalmente frustrado com a falta de uma declaração enfática do presidente dos EUA, Barack Obama, sobre a intenção do país em ter um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Gostaríamos que tivesse havido apoio mais enfático”, diz Marco Aurélio Garcia, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República. Mas o comunicado conjunto divulgado pelos países trouxe algum alento para o governo brasileiro, que conseguiu incluir previsões nesse sentido.

Segundo o texto, “o presidente Obama manifestou seu apreço à aspiração do Brasil de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança e reconheceu as responsabilidades globais assumidas pelo Brasil”. “Não está muito abaixo do que foi declarado em relação à Índia”, avalia Garcia. Quando esteve na Índia, porém, Obama falou deu apoio em seu discurso à ocupação permanente do país de uma cadeira no Conselho de Segurança.

Antes mudar do que incluir-nos

Garcia reconheceu que essa é uma questão complicada para os EUA. “Mas eles têm que entender que essa não é uma questão corporativista, porque o mais fundamental é a mudança da composição do Conselho”, diz Garcia. Segundo ele, desde a época do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil defende que, antes de ocuparmos uma vaga, devemos lutar para ampliar o número de participantes do Conselho. “Primeiro se discute se ampliar.”

No comunicado, os países concordam que o CS precisa ser renovado e expressaram seu apoio a uma expansão limitada do Conselho de Segurança, que aprimore suas efetividades e eficiência, bem como sua representatividade.”

Obama e Dilma

Em pronunciamento após encontro privado no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff pediu uma "parceria entre iguais" com o presidente americano, Barack Obama, e a eliminação das barreiras que dificultam a entrada de produtos brasileiros nos EUA como como etanol, carne bovina, suco de laranja e aço. "Nossa relação é um construção entre iguais, por mais distintos que sejam os paises em população, em poderio militar", disse. Veja a íntegra do discurso da presidenta.

Em seu discurso, Dilma citou "contradições" que precisam ser superadas, pedindo o fim de medidas protecionistas no comércio com os EUA e reformas em instituições como o Banco Mundial, o FMI e o Conselho de Segurança da ONU. "Buscamos relações econômicas mais justas e equilibradas", afirmou.

Ao reiterar a aspiração do Brasil a um assento permanente órgão, a líder brasileira disse que o País pleitea a vaga porque "um mundo mais multilateral é fundamental para promover a paz", e não para ocupar um espaço burocrático.

A líder brasileira traçou um paralelo entre as modificações feitas nos órgãos econômicos após a crise iniciada em 2008 e a reforma que o Brasil reivindica para o órgão de 15 membros da ONU - em que apenas EUA, Rússia, China, Reino Unido e França têm poder de veto. "Foi preciso uma crise econômica para forçar a reformar dos órgãos econômicos, no caso do Conselho de Segurança podemos nos antecipar", afirmou.

Já em seu pronunciamento, o presidente americano afirmou que o Brasil é cada vez mais um líder mundial, e não somente regional, no contexto de uma nova realidade geopolítica global. Apesar disso, não declarou um apoio explícito à reivindicação brasileira ao Conselho de Segurança, afirmando apenas que os EUA continuarão trabalhando com o País e outros parceiros para tornar o órgão mais representativo, com a participação de novos atores importantes no cenário mundial.

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