Obama: EUA darão US$ 200 mi contra narcotráfico na América Central

Ajuda seguirá modelo de Plano Colômbia contra o tráfico em El Salvador, Nicarágua, Honduras e Guatemala

Marsílea Gombata, enviada a San Salvador, El Salvador |

Em visita a El Salvador, nesta terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, anunciou uma quantia de US$ 200 milhões (cerca de R$ 332 milhões) para o combate ao narcotráfico na América Central. Preocupado com a mudança de cartéis mexicanos e colombianos, sob intensa repressão, para vizinhos como El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, o governo americano quer repetir ajudas financeiras como as dadas a países como Colômbia e México. “A ênfase é trabalhar com um enfoque regional, e os diversos países centroamericanos se reunirão para decidir como gastar esse dinheiro”, explicou Obama.

O presidente americano citou a conversa que mais cedo teve com o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, na qual o mandatário salvadorenho disse não querer que homens e mulheres de seu país vislumbrem apenas dois caminhos a seguir: buscar melhores oportunidades nos Estados Unidos ou fazer parte de uma organização criminosa. “É por isso que educação e programas sociais podem ajudá-los a encontrar outros caminhos”, ressaltou Obama sobre iniciativas da sociedade civil. O presidente americano elogiou a liderança de Funes e disse ter certeza de que ele utilizaria o dinheiro de forma apropriada.

A ajuda foi saudada por Funes, que classificou o problema do narcotráfico de El Salvador como “regional”. “Se os diferentes Estados não se unirem e fizerem cópias de êxitos que tiveram países como México e Colômbia, veremos a continuidade desse quadro”, ressaltou. “De nada servirão os esforços de repressão aos delinquentes se não retirarmos deles o terreno fértil que encontraram na região”, disse a respeito da pobreza e da exclusão social que vivem jovens que recorrem ao tráfico de drogas. O presidente salvadorenho citou ainda o exemplo dos EUA que investiram US$ 10 milhões no combate ao consumo de drogas interno como uma meta a ser perseguida em seu mandato.

Imigração

Outro ponto central do encontro entre Obama e Funes foi imigração. Os países acordaram medidas para diminuir o número de salvadorenhos que buscam melhores oportunidades nos EUA. “A melhor estratégia contra imigração é a luta contra a pobreza para evitar que seu povo migre”, alertou Funes, que no início do pronunciamento disse ter eleito Chile e Brasil como paradigmas para El Salvador.

El Salvador tem uma das mais altas taxas de emigração da região, especialmente para os EUA. Os mais de 2 milhoes de salvadorenhos que vivem em território americano são responsáveis por enviar remessas para El Salvador, que no ano passado somaram US$ 3,5 bilhoes e representam uma das principais fontes da economia do país.

“Os EUA são um país de imigrantes. Quero assegurar um sistema de imigração legal, efetivo e que não seja frustrante. Temos de assegurar que os imigrantes ilegais que vivem nos EUA e têm filhos nascidos lá tenham um caminho para fazer as coisas legalmente”, disse Obama.

Em relação à situação de cerca de 235 mil salvadorenhos ilegais nos EUA, Obama prometeu trabalhar para aprovação da reforma migratória, mas ressaltou obstáculos dentro do Congresso americano, apesar de seus esforços. Ele disse que os republicanos têm sido relutantes em aprovar a reforma, mas tem esperança de que “comecem a reconhecer a importância” de dar uma solução ao problema da imigração ilegal nos EUA.

Os mandatários debateram também parcerias como a iniciativa Bridge, dentro do programa Partnership to Grow, que tem como propósito impulsionar projetos de grandes magnitudes, em especial infraestrutura, que reduzam níveis de pobreza.

Na conferência na Casa Presidencial de El Salvador estavam presentes também o assessor adjunto dos Estados Unidos para a América Latina, Arturo Velenzuela, a embaixadora americana em San Salvador, Mari Carmen Aponte. Do lado salvadorenho, o ministro da Fazenda Carlos Cáceres, o ministro da Economia Carlos Dada, o secretário da presidência Francis Hasbun, o ministro do Turismo German Chavez e o embaixador salvadorenho em Washington, Francisco Atschul.

Chegada

Obama aterrissou às 12h30 (locais) no aeroporto internacional de El Salvador , na capital San Salvador, acompanhado da mulher, Michelle, e as filhas. O presidente americano foi recebido pelo chanceler salvadorenho, Hugo Martínez, e o prefeito da capital salvadorenha, Norman Quijano, que lhe entregou a chave da cidade a Obama e o recebeu como convidado especial.

Obama voou de helicóptero para a Casa Presidencial, sede do Executivo de El Salvador, onde foi recebido pelo presidente salvadorenho, Mauricio Funes, e a primeira-dama Vanda Pignato, às 13h25.

Ele se reuniu com Funes por cerca de uma hora, com quem discutiu narcotráfico, imigração e investimentos privados , enquanto Michelle visitou o projeto Cidade Mulher, carro-chefe dos programas sociais do país, idealizado por Vanda Pignato, também secretária de Inclusão Social do país.

Na tarde desta terça-feira, Obama visita ainda a Catedral Metropolitana, onde está enterrado monsenhor Oscar Romero, morto durante em 1980, durante a guerra civil (1979-1992). A visita causou polêmica entre a esquerda salvadorenha, para quem a presença de um presidente americano no túmulo de Romero, morto por esquadrões da morte treinados pela Escola das Américas, financiada por Washington, é uma ofensa. Funes, no entanto, saudou o gesto de Obama em visitar a catedral. “Para nós, trata-se de um ato de reconhecimento de um estadista internacional, como Obama, à mensagem profética de Romero e aos valores universais de sua mensagem”, disse.

À noite, Obama e Michelle são recebidos para um jantar oferecido pela presidência salvadorenha. Na quarta-feira, Obama visita ruínas maias no sítio arqueológico de San Andrés, a 40 minutos de San Salvador, e volta para os Estados Unidos.

Alguns líderes da região reclamaram de Obama ter priorizado a visita a Funes no lugar de um grupo de presidentes da América Central. A escolha de Obama por El Salvador, entretanto, é vista como um respaldo ao pragmatismo de Funes, apesar da inclinação e do histórico esquerdista de seu partido, a Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN).

A visita de cinco dias de Obama à América Latina foi ofuscada pela ofensiva das forças de coalizão contra a Líbia. Parte da agenda em El Salvador prevista para quarta-feira, como a visita à tumba de monsenhor Romero, foi antecipada para terça-feira, para que o presidente retorne aos EUA antes do planejado.

    Leia tudo sobre: obamael salvadorvisitasan salvador

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG