No Chile, Obama indicará política para América Latina

Estável e com imagem internacional em alta, país foi escolhido pelo líder americano para seu principal discurso durante visita oficial à região

Luísa Pécora, enviada a Santiago |

O presidente dos EUA, Barack Obama, desembarcou nesta segunda-feira no Chile para uma visita oficial de menos de 24 horas que promete ser acompanhada de perto por todos os países da América Latina. A capital chilena, Santiago, foi escolhida para um discurso no qual o líder explicará sua política para a região – o principal pronunciamento da viagem que inclui Brasil e El Salvador.

O discurso será realizado no Centro Cultural do Palácio La Moneda e coincidirá com o 50º aniversário do anúncio feito pelo ex-presidente americano John Kennedy, em 1961, da Aliança Para o Progresso, que estabeleceu econômica entre os EUA e os países latino-americanos.

A expectativa é que o pronunciamento tenha para a América Latina a mesma importância que o discurso feito no Cairo , em junho de 2009, teve para o Oriente Médio. Na ocasião, Obama abordou os principais desafios da região e pediu um “novo começo” nas relações entre os EUA e o povo muçulmano.

No Chile, Obama deve reiterar seu objetivo de se relacionar de igual para igual com os países latino-americanos, indicando as áreas em que podem trabalhar juntos, como crescimento econômico e energia.

O governo chileno comemora a visita de Obama, a primeira estritamente bilateral de um presidente americano ao país em 50 anos. Os ex-presidentes Bill Clinton e George W. Bush também estiveram em Santiago, mas para participar de cúpulas e fóruns internacionais.

Em entrevista ao jornal chileno “El Mercúrio”, publicada no domingo, Obama justificou a escolha do Chile como palco de seu principal discurso para a América Latina dizendo que “a exitosa transição democrática e seu crescimento econômico são um modelo para a região e o mundo.”

Assim, no pronunciamento desta segunda-feira Obama deve retomar uma ideia abordada durante discurso no domingo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro: a de que os países do mundo árabe recém-saídos de um longo período de governo autoritário podem aprender lições a partir da experiencia latino-americana.

Imagem em alta

Além de políticamente estável, o Chile é considerado um dos principais aliados dos EUA na América Latina. Os dois países são integrantes do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico e, graças a um Tratado de Livre-Comércio que entrou em vigor em 2004, a troca comercial no ano passado superou US$ 18 bilhões.

O governo chileno também se mostrou alinhado com o americano em polêmicas questões internacionais como a crise em Honduras. Diferentemente de grande parte dos países sul-americanos, o Chile reconheceu o governo do presidente Porfírio Lobo, evitando desgastes nas relações com os EUA – como aconteceu com o Brasil, que deu forte apoio ao líder deposto, Manuel Zelaya.

O Chile desfruta, também, de uma notável melhora de sua imagem internacional, impulsionada por dois acontecimentos do ano passado: os intensos esforços de recuperação após o terremoto seguido de tsunami que devastou o sul do país, e o bem-sucedido e emocionante resgate dos 33 mineiros presos a 700 km de profundidade no deserto do Atacama.

“Aprendemos algo sobre o espírito dos chilenos ao ver a população reconstruir suas comunidades após o terremoto, e ao ver os mineiros perserverarem em circunstancias inimagináveis”, afirmou Obama ao “El Mercúrio”. “O momento é muito promissor para o povo do Chile. É difícil recordar um momento em que vocês contavam com mais simpatia ao redor do mundo.”

No domingo, o clima em Santiago era de tranquilidade e a única alteração visível no cotidiano da cidade era a maior movimentação de policiais ao redor do Palácio de La Moneda e em toda a região central.

Mais de dois mil homens participarão do esquema de segurança para a visita de Obama. Alterações no trânsito também foram feitas e são comunicadas constantemente na TV chilena.

O presidente americano desembarca entre 12h e 13h no aeroporto de Santiago, onde será recebido pelo chanceler chileno, Alfredo Moreno. Depois, ele e a primeira-dama, Michelle Obama, serão recebidos por Piñera e sua mulher, Cecilia Morel, no Palácio La Moneda. Obama passará em revista a guarda do palácio e, depois, posará para fotos com Piñera.

Os dois líderes passam, então, para uma reunião de trabalho da qual também participarão cinco integrantes de cada delegação. As discussões serão ampliadas e passarão a contar com outros nomes das comitivas e, depois, os dois líderes farão um pronunciamento conjunto à imprensa.

Chega então o momento mais esperado da agenda: o discurso no Centro Cultural do La Moneda. Depois do pronunciamento, ele volta para o La Moneda para um jantar oficial oferecido pelo líder chileno em sua homenagem.

A previsão é que Obama deixe o Chile por volta das 9h de terça-feira, seguindo em direção a El Salvador, terceira e última parada do líder em seu giro pela América Latina.

* Com informações da AFP

    Leia tudo sobre: Obamagiro pela América Latina

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG