Movimentos sociais protestam contra visita de Obama a El Salvador

Campesinos, sindicalistas e estudantes pedem fim da base militar americana de Comapala e revogação do tratado de livre comércio

Marsílea Gombata, enviada a San Salvador, El Salvador |

Antes mesmo de o presidente americano, Barack Obama, deixar Santiago do Chile rumo a El Salvador , grupos camponeses, estudantis e sindicatos salvadorenhos se reuniram na manhã desta terça-feira na Praça do Salvador do Mundo para protestar contra a visita. Cerca de oito agrupamentos de esquerda se juntaram a manifestantes que se concentraram na Universidade de El Salvador, de onde irão até a Casa Presidencial, onde Obama se reúne com o presidente salvadorenho, Mauricio Funes, depois do almoço, após ter chegado ao país .

A manifestação, que até às 10h30 locais (13h30 em Brasília) reunia 300 pessoas - de acordo com a Polícia Nacional Civil -, reivindicou desde a legalização de imigrantes salvadorenhos nos EUA até o fim do Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos, América Central e República Dominicana, assinado em 2005 por El Salvador, e o fechamento da base militar americana de Comalapa.

“Os EUA nos devem muito e estiveram em guerra contra nosso próprio povo’, disse ao iG Fausto Ramires, que trabalha em cooperativas agrícolas e faz parte do Movimento 12 de Outubro (nome dado em referência à grande manifestação de 2002 contra o Tratado de Livre Comércio).

Segundo Ramires, o movimento do qual participa pede o fechamento da base militar, o fim do embargo a Cuba, da intervenção militar na Líbia e da Ilea, estabelecida em El Salvador em julho de 2005. “Mesmo assim, não temos nenhuma expectativa com a visita de Obama.”

Para o professor Camilo Aguilar, que faz parte da União Socialista dos Trabalhadores, a visita de Obama não é bem-vinda por representar interesses de um tipo de diplomacia unilateral igual à de seu antecessor, George W. Bush. “Continuam interferindo na soberania de nosso país. Se antes pensávamos que a política de Obama seria diferente, hoje, com a guerra com a Líbia, temos a prova de que nada mudou”, afirmou.

Segurando uma placa em que pedia respeito aos direitos dos imigrantes salvadorenhos nos EUA, a camponesa Monica Mendonza reivindicou uma definição de status em favor dos ilegais que vivem em território americano. “Queremos reconhecimento da cidadania americana para eles”, disse ao lado do amigo Elias Romero.

Ativista do movimento campesino, Victor Mejia considera absurdo que Honduras faça parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) depois do golpe que levou à deposição de Manuel Zelaya, em 2009. “Não estamos de acordo com um governo que concorde com essas regras”, afirmou.

O professor da Universidade Luterana Ricardo Teo se disse contrário à visita porque “Obama não vai acrescentar nada”. “Ele só vem para tentar mais oportunidades e vantagens para suas empresas aqui em El Salvador”, disse.

Entoando frases de ordem como “Fora da Líbia, fora da América Central” e “Presidente Obama, ponha a mão na consciência e veja que o povo latino-americano está farto”, os manifestantes prometem uma marcha até onde o forte esquema de segurança nos arredores da Casa Presidencial deixar, já que querem se fazer ouvir por Obama.

Em frente ao Hotel Hilton, onde Obama se hospedará com a família e a comitiva que o acompanha no giro pela América Latina , no entanto, não havia nenhum sinal de manifestação diante da segurança reforçada.

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