Guerra civil e narcotráfico marcam visita de Obama a El Salvador

Menor país das Américas foi escolhido para giro latino-americano por integrar região que pode vir a ser refúgio de cartéis

Marsílea Gombata, enviada a San Salvador, El Salvador |

O presidente dos EUA, Barack Obama, chegou nesta terça-feira a El Salvador, a última etapa de seu giro latino-americano. Palco de uma guerra civil que terminou recentemente (1979-1992) e deixou 75 mil mortos em uma população de 6 milhões de habitantes, o país é atualmente fruto direto do conflito e da violência ligada ao narcotráfico na América Central, contexto que se traduz nas ruas com pesadas armas em punho de qualquer segurança de bairro.

Em El Salvador, Obama visitará o primeiro chefe de Estado de esquerda do país, Mauricio Funes, no momento em que Washington corteja uma América Latina mais autônoma e observa com preocupação a contaminação de países centro-americanos pela violência dos cartéis mexicanos.

Depois de passar pelo Brasil e pelo Chile , Obama será recebido por Funes, ex-jornalista da rede de TV CNN que chegou ao poder em junho de 2009 como candidato da antiga guerrilha Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

A vitória de Funes deu fim a duas décadas do direitista Arena no poder. O partido de direita e a frente esquerdista atualmente são as principais legendas do país e fazem com que a política seja extremamente polarizada.

Com as feridas da guerra civil ainda abertas, o centro político partidário salvadorenho praticamente desapareceu, segundo o vereador José Américo (PT-SP), que ajudava em campanhas eleitorais da FMLN em El Salvador, amigo de Funes e da primeira-dama, a brasileira Vanda Pignato .

Sob Funes, que chegou a 85% de aprovação no fim de 2009, segundo o Gallup, a economia começou uma lenta recuperção em 2010, melhorando e aumentando suas exportações de alimentos e etanol, de acordo com o CIA The World Factbook.

O país, que adotou o dólar americano como moeda oficial em 2001, tem cerca de 7% da população desempregada e 37,8% vivendo abaixo da linha da pobreza.

Assim como classificou Brasil e Chile como exemplos de transição democrática , Obama pode ter escolhido El Salvador também por ter conquistado uma alternância de poder pacífica e uma gradual consolidação das instituições.

Alm disso, EUA e El Salvador têm temas mais áridos para tratar, como os cerca de 235 mil imigrantes salvadorenhos que vivem nos EUA em situção indefinida. Os 1,3 milhão de imigrantes que vivem fora do país são responsveis por prover a maior fonte de renda do país, de acordo com Américo. Essas remessas são a principal fonte de riqueza e representam entre 15% e 20% do PIB salvadorenho, disse.

Centro de monitoramento

Está em debate também um local para treinamento policial dentro de um Centro de Monitoramento contra o Narcotráfico financiado pelos EUA, assim como a criação de uma base de escutas telefônicas contra o crime organizado.

Assim, o presidente americano teria escolhido o menor país das Américas como um de seus destinos por El Salvador integrar, juntamente com Guatemala e Honduras, o Triângulo Norte da América Central, região que, segundo os EUA, pode vir a ser refúgio de cartéis de droga mexicanos perseguidos pelo governo do mexicano Felipe Calderón.

Em outubro de 2009, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) advertiu que a América Central é uma das regiões mais violentas do mundo, com uma taxa de homicídios de 33 por cada 100 mil habitantes em 2008, o triplo da média mundial.

A pesquisa ressaltou que entre 2003 e 2008 "os homicídios tiraram a vida de cerca de 79 mil". Honduras ficou na frente das estatísticas ao registrar 58 homicídios por cada 100 mil habitantes, seguida por El Salvador (52) e Guatemala (48).

*Com EFE

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