EUA: Michelle é a primeira-dama mais popular desde Jackie Kennedy

Mulher de presidente americano é mãe, ícone de moda, advogada bem-sucedida e, acima de tudo, cheia de opiniões

Carolina Cimenti, especial para o iG, Nova York |

Desde que John F. Kennedy foi eleito presidente dos EUA, nos anos 60, a família que ocupa a Casa Branca é considerada a Família Real americana. Mas nenhuma primeira-dama que veio depois de Jacqueline Kennedy recebeu tanta atenção e foi considerada tão popular quanto a atual, Michelle Obama, de 47 anos, que acompanha o presidente dos EUA, Barack Obama, no seu giro latino-americano por Brasil, Chile e El Salvador entre 19 e 23 de março.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, e primeira-dama Michelle Obama esperam chegada de primeiro-ministro chinês, Hu Jintao, na Casa Branca (19/01/2011)
“Michelle tem níveis de popularidade muito parecidos com os de Jackie Kennedy. Ela, porém, tem a vantagem de ser uma advogada independente, e por isso consegue exercer mais influência e em áreas em que Jackie jamais conseguiria”, diz o analista político da Universidade de San Francisco Stephen Zunes.

Uma pesquisa de 8 de março da Universidade de Quinnipiac apontou que a primeira-dama tem aprovação maior que a do marido entre a população. Michelle ficou em primeiro lugar na “tabela de simpatia” com 60,1 pontos, acima do ex-presidente Bill Clinton (59,2), do popular governador de Nova Jersey Christopher Christie (57) e do marido, Obama (56,5).

Os analistas políticos são unânimes ao dizer que a proximidade de Michelle com a população americana vem justamente do fato de a primeira-dama se considerar e se comportar como uma pessoa normal, apesar de receber atenção constante. Ela também conquista o eleitorado utilizando expressões populares e linguagem simples. “O uso de expressões corriqueiras, mesmo quando fala em público, a aproxima das pessoas, a torna mais humana e, por eles serem um casal jovem, com filhas em casa, dá um tom diferente e moderno a todos”, diz Paul Frymer, professor de política da Universidade de Princeton.

Assim como Obama é o primeiro negro presidente, Michelle é a primeira negra na história americana a ocupar o posto de primeira-dama. Ela nasceu na humilde zona sul de Chicago, em 1964. Seu pai era funcionário da fornecedora de água da cidade, e sua mãe trabalhou como secretária até ter Michelle e seu irmão. Pelo lado materno e paterno, seus tataravôs e tataravós foram escravos.

Michelle sempre estudou em escolas públicas. Ela se formou em sociologia e estudos africanos na Universidade de Princeton antes de conquistar o diploma de advogada pela Universidade de Harvard, em 1988.

Em depoimento há três anos à revista The New Yorker, sua mãe, Marian Robinson, contou que Michelle sempre foi muito ativa. “Se uma coisa não está certa, pode ter certeza de que Michelle falará sobre isso. Quando ela estudava em Princeton, seu irmão me telefonou um dia dizendo: 'Mãe, a Michelle está fazendo uma bagunça aqui, dizendo aos professores que eles não estão ensinando francês corretamente, porque deveriam exigir menos gramática e mais conversação!' Eu respondi: 'Meu filho, não a cale, simplesmente faça que você nem a conhece'.”

Depois de formada, Michelle entrou para o escritório de advocacia Sidley & Austin, onde conheceu Obama. Ela foi escolhida como sua mentora quando ele ingressou no escritório. Eles se conheceram em um almoço de trabalho, mas foi só mais tarde, em uma reunião para a organização de uma ação em uma comunidade, que o futuro presidente dos EUA a impressionou. O primeiro encontro do casal como namorados foi para assistir ao filme "Faça a Coisa Certa", do diretor Spike Lee. Eles se casaram em outubro de 1992.

Depois de alguns anos atuando como advogada, Michelle decidiu trabalhar mais proximamente à comunidade de Chicago e aceitou um cargo na prefeitura da cidade para organizar programas de desenvolvimento. Em 1996, entrou para a Universidade de Chicago com o objetivo de aproximar o campus da comunidade e lançou o primeiro programa de serviços comunitários da instituição. Anos mais tarde, foi contratada como vice-presidente do centro médico da entidade, onde o voluntariado chegou a atingir recordes históricos para as universidades americanas. A então futura primeira-dama exerceu a função até o início da campanha eleitoral do marido para a presidência, em 2007, quando deixou o emprego e o salário de mais de US$ 270 mil anuais.

Mãe, esposa e primeira-dama

De acordo com o site oficial da Casa Branca, quando as pessoas pedem que Michelle se descreva, ela sempre diz que, em primeiro lugar, é a mãe de Malia e Sasha. Só depois vem todo o resto. Durante a campanha eleitoral para a presidência, a primeira-dama tentava acompanhar o marido quando podia, mas fazia questão de não dormir fora de casa mais de uma vez por semana.

Malia Ann, de 12 anos, e Natasha (a Sasha), de 9, moram com os pais em Washington DC e estudam na escola privada Sidwell Friends, a mesma que foi frequentada por outros filhos de presidentes americanos, como Chelsea Clinton, Tricia Nixon Cox e Archibald Roosevelt. Antes que as meninas Obama entrassem na escola, a segurança do prédio e do pátio foi toda reformulada, e os pais de alunos tiveram de assinar um documento afirmando que não dariam entrevistas. Sasha é a criança mais jovem a morar na Casa Branca desde John F. Kennedy Jr.

As filhas do presidente têm uma agenda cheia. Malia faz futebol, dança moderna e teatro, e Sasha frequenta aulas de ginástica olímpica e sapateado. Além disso, as duas têm aulas de piano e tênis semanalmente.

Ícone fashion

Todo o guarda-roupa de primeira-dama recebe atenção, mas Michelle Obama não só demonstra ecletismo e bom gosto (nas escolhas e nos preços dos modelos que veste), como também é tema de dezenas de sites de moda. Entre eles, o www.mrs-o.org é totalmente independente e 100% concentrado em mostrar qual estilista a primeira-dama escolhe a cada dia.

A primeira-dama diz não dar muita importância à moda, mas em vários momentos já mandou recados importantes ao mundo com as suas escolhas. Durante a eleição e posse do marido, escolheu usar somente estilistas americanos (Narciso Rodriguez, Jason Wu e Isabel Toledo). No dia a dia, às vezes veste peças que custam menos de US$ 50 de lojas populares como H&M, Gap e Banana Republic.

Semanas atrás, causou furor ao se apresentar com um vestido Alexander McQueen no jantar para receber o primeiro-ministro chinês. Não porque o vestido fosse vermelho, da cor da bandeira da revolução chinesa. Mas porque era de um estilista britânico, e não americano.

Seja como for, Michelle é sempre mais elogiada do que criticada pelos editores de moda. Talvez porque, conforme explica a editora de moda do jornal The New York Times, entre cintos e bolsas, colares e saias, a primeira-dama tem sempre o acessório perfeito: seu marido, o presidente dos EUA, sorrindo a seu lado.

Primeira-dama não faz política

Frymer diz que tradicionalmente as primeiras-damas americanas não interferem na política. “Quando uma primeira-dama começa a parecer muito cheia de opiniões políticas, como Hillary Clinton durante os mandatos de seu marido, isso pode causar crises na política interna do país. A oposição diz que quem está governando não é o presidente etc. Então é importante haver um equilíbrio”, explica.

Talvez por essa razão, Michelle tenta concentrar suas atividades políticas em áreas de pouco conflito com o trabalho da Câmara ou do Senado: saúde pública e a luta contra a pobreza.

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Primeira-dama dos EUA, Michelle Obama (D), cultiva batatas doces com estudantes na horta da Casa Branca (20/10/2010)
Um ano atrás, a primeira-dama lançou o projeto Let’s Move, para melhorar a qualidade da alimentação infantil e estimular o exercício físico, diminuindo os índices de obesidade das crianças americanas. Michelle chegou a transformar os jardins da Casa Branca em uma horta para alertar sobre as necessidades de uma alimentação correta.

Os republicanos tentam diminuí-la, e a criticaram muito quando a primeira-dama comeu toda a sua sobremesa no jantar oficial para o primeiro-ministro chinês. Tudo porque Michelle havia dito que na sua casa sobremesa não é um direito, mas deve ser conquistada. Grande parte da população americana, porém, acredita que a primeira-dama mereça, sim, o seu sorvete Sunday depois do jantar.

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