Dilma pede a Obama 'parceria entre iguais' de EUA e Brasil

Presidente dos EUA foi recebido com honrarias militares no primeiro compromisso de seu giro latino-americano

iG São Paulo |

Em pronunciamento após encontro privado no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff pediu uma "parceria entre iguais" com o presidente americano, Barack Obama, e a eliminação das barreiras que dificultam a entrada de produtos brasileiros nos EUA como como etanol, carne bovina, suco de laranja e aço. "Nossa relação é um construção entre iguais, por mais distintos que sejam os paises em população, em poderio militar", disse. Veja a íntegra do discurso da presidenta .

Em seu discurso, Dilma citou "contradições" que precisam ser superadas, pedindo o fim de medidas protecionistas no comércio com os EUA e reformas em instituições como o Banco Mundial, o FMI e o Conselho de Segurança da ONU. "Buscamos relações econômicas mais justas e equilibradas", afirmou.

Ao reiterar a aspiração do Brasil a um assento permanente órgão, a líder brasileira disse que o País pleitea a vaga porque "um mundo mais multilateral é fundamental para promover a paz", e não para ocupar um espaço burocrático.

A líder brasileira traçou um paralelo entre as modificações feitas nos órgãos econômicos após a crise iniciada em 2008 e a reforma que o Brasil reivindica para o órgão de 15 membros da ONU - em que apenas EUA, Rússia, China, Reino Unido e França têm poder de veto. "Foi preciso uma crise econômica para forçar a reformar dos órgãos econômicos, no caso do Conselho de Segurança podemos nos antecipar", afirmou.

Dilma também destacou a importância de estabelecer parcerias com EUA nas áreas de infraestrutura e energia, tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio, em 2016.

Em seu pronunciamento, o presidente americano afirmou que o Brasil é cada vez mais um líder mundial, e não somente regional, no contexto de uma nova realidade geopolítica global. Apesar disso, não declarou um apoio explícito à reivindicação brasileira ao Conselho de Segurança, afirmando apenas que os EUA continuarão trabalhando com o País e outros parceiros para tornar o órgão mais representativo, com a participação de novos atores importantes no cenário mundial.

Um comunicado conjunto publicado depois do pronunciamento, e assinado pelos dois presidentes, afirma que Obama "manifestou seu apreço" pela intenção do Brasil de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança e reconheceu as "responsabilidades globais" assumidas pelo País.

Em sua fala, Obama disse que o Brasil, como uma das maiores democracias do hemisfério, promove uma maior integração entre as Américas. O presidente americano destacou o "crescimento extraordinário" do Brasil, que passou de receptor de ajuda externa para doador de recursos a outros países. Ele também expressou a vontade de seu país de se transformar em "um grande cliente" das fontes de energia brasileiras.

Obama citou o "sacrifício" feito por pessoas como Dilma para transformar o Brasil de uma ditadura para uma democracia, e disse ter certeza de que a sua colega brasileira exercerá a liderança para viabilizar o progresso na relação entre os dois países.

Após o encontro no Palácio do Planalto, Dilma e Obama seguiram para o Itamaraty, onde encerraram um encontro de CEOs brasileiros e americanos e assinaram um acordo de Previdência. Posteriormente, vão participar de almoço com empresários e outros convidados.

Antes do almoço, Dilma relembrou as características multiétnicas dos dois países e reiterou as grandes possibilidades econômicas de parceria entre os dois países. Ela também repetiu a mensagem dada no Planalto de que o Brasil está preparado para um maior papel global. “Estamos prontos para dar a nossa contribuição para a paz no Conselho de Segurança da ONU ”, afirmou.

Chegada ao Brasil

Obama foi recebido na manhã deste sábado por Dilma Rousseff em uma cerimônia que começou às 10h28. O líder americano passou as tropas em revista antes de subir a rampa do Planalto, onde encontrou Dilma e o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. A primeira-dama Michelle Obama já estava no topo da rampa, onde chegou separadamente do marido. Após execução dos hinos americano e brasileiro, Obama entrou no palácio, onde posou para fotos ao lado de Dilma, cumprimentou ministros e autoridades e viu uma exposição de artistas brasileiros .

Durante a amnhã, Obama e Dilma participaram de uma reunião avançada para acertar os detalhes dos tratados e acordos entre EUA e Brasil. No total, são oito atos e dois acordos relativos a parcerias nas áreas comercial, econômica, social, cultura e ciência e tecnologia. Michelle não ficou para a reunião no Planalto para poder participar de um evento cultural com jovens brasileiros no restaurante Oca da Tribo, no Setor Clube Esportivo Sul de Brasília

A cerimônia no Planalto começou um pouco mais de duas horas depois de Obama chegar, com sua família, à Base Aérea de Brasília, para começar a primeira etapa de um giro latino-americano de cinco dias que incluirá o Chile e El Salvador e foi descrito pela Casa Branca como "emblemático".

Em sua mensagem semanal, que coincidiu com o início de sua primeira viagem pela região, Obama afirmou neste sábado que a aliança com a América Latina é cada vez mais "vital" para os EUA . "Sempre tivemos um vínculo especial com nossos vizinhos do sul. É um vínculo que nasce de uma história e de valores comuns, e milhões de americanos com raízes na América Latina o reforçam", afirmou Obama em seu discurso gravado, divulgado nos EUA na manhã deste sábado. Já em entrevista concedida à revista Veja, o líder americano disse que os EUA não estão em declínio e buscam uma relação mais próxima com o Brasil.

Com sua mulher, Michelle , e as filhas Malia e Sasha, o líder americano desembarcou às 7h42 na Base Aérea depois de o avião Air Force One ter pousado às 7h31. Após o desembarque, Obama e sua comitiva seguiram para o hotel Golden Tulip, onde ficaram antes do encontro com Dilma e receberam camisetas e chinelos de dedo de presentes.

Logo após a chegada à base aérea, representantes do governo brasileiro e americano assinaram os dez acordos e tratados de cooperação anunciados posteriormente na declaração oficial no Planalto. Entre os documentos há memorandos para o Comércio e para parcerias em grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016

A viagem, que ocorre em meio à tragédia do Japão e à crise na Líbia , foi descrita como muito importante pelo governo americano. "Vemos uma enorme convergência de interesses entre Brasil e EUA, e um momento enorme de oportunidades", afirmou nesta semana o conselheiro adjunto de Segurança Nacional dos EUA, Ben Rhodes.

No Planalto, Obama não se esqueceu da crise na Líbia, reiterando que os EUA estão preparados "para atuar rapidamente" para proteger a população líbia dos ataques do regime de Muamar Kadafi.

Washington quer aproveitar o enorme potencial econômico da relação bilateral com o Brasil, que se transformou na sétima potência econômica e cujas trocas comerciais com os EUA dobraram na década passada.

Depois que China superou os EUA como principal comprador das exportações brasileiras, Washington quer recuperar a iniciativa e está interessado, segundo a Casa Branca, em desenvolver uma colaboração em energia e infraestruturas - principalmente em relação aos investimentos que o Brasil terá de fazer para os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo de 2014. Além disso, o Brasil conta com reservas de petróleo que equivalem ao dobro das americanas e vê a perspectiva de se transformar em exportador da matéria-prima.

Por volta das 15h, Obama discursa para empresários no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-EUA, no Centro Empresarial 21. Antes de embarcar às 18h20 para o Rio de Janeiro, para a segunda etapa de sua viagem no Brasil, o líder americano comparece às 17h20 de uma recepção no Palácio do Alvorada oferecida por Dilma. A despedida será com um quitute tipicamente brasileiro: pão de queijo .

*Com BBC e EFE

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