Diferenças sobre Líbia não afetarão relações Brasil-EUA, diz Patriota

Brasil foi um dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU que se absteve na votação que criou uma zona de exclusão na Líbia

EFE |

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta terça-feira que apesar das diferenças existentes entre Brasil e Estados Unidos sobre o conflito na Líbia, as relações bilaterais não serão afetadas.

"As posições com relação à Líbia no Conselho de Segurança da ONU não foram idênticas, mas existe um respeito por parte dos Estados Unidos, visível em relação à posição brasileira", disse Patriota em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros em São Paulo.

O Brasil foi um dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU que se absteve na votação da resolução 1973, que cria uma zona de exclusão aérea na Líbia.

O começo dos ataques ao regime de Muamar Kadafi coincidiu com a visita de dois dias feita ao Brasil no último fim de semana pelo presidente americano, Barack Obama.

"Um dirigente não escolhe o momento. Quando o momento da visita foi escolhido, não havia essa previsão de que poderia coincidir com a crise na Líbia", declarou Patriota.

O chanceler expressou que o Brasil deseja para a Líbia e os países que "estão em momentos de rebeliões internas, alguns de uma maneira mais crítica que outra, a estabilidade do progresso econômico, social, institucional, democrático e político".

"Agora vamos aguardar o relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que está visitando a região, e de seu enviado especial, que ficou três dias na Líbia, para avaliar de acordo com o Conselho de Segurança quais serão os passos seguintes e de que forma o Conselho se posicionará a partir de agora", afirmou.

Para Patriota, a primeira resolução do Conselho de Segurança, presidido pelo Brasil como membro não-permanente, a de número 1970, estabeleceu por consenso "medidas muito severas", como o embargo de armas e restrições à liberdade de movimento" do líder líbio, sua família e seus aliados mais próximos.

"Não houve tanta divergência com relação ao estabelecimento de uma zona de exclusão aérea, solicitada pela Liga Árabe, e quando discutíamos esse plano surgiu a proposta de algo a mais, em termos de intervenção militar, e o Brasil expressou dúvidas sobre o que era adequado", acrescentou.

Ao ser perguntado sobre o Irã, Patriota disse que "é importante esclarecer que o Brasil defende o uso pacífico de energia nuclear", reconhecido no Tratado de Não-Proliferação.

Patriota destacou também as próximas viagens da presidente Dilma Rousseff ao exterior - a primeira delas no fim deste mês a Portugal, em meados de abril à China, e um mês depois ao Paraguai.  

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