Carisma e simpatia de Obama cativam a plateia do Municipal

Público aplaudiu presidente norte-americano de pé duas vezes. Esforço em falar frases em português, referências elogiosas ao país, à cidade e ao futebol conquistaram os presentes

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Valter Campanato / ABr
Barack Obama fez um pronunciamento para mais de 2 mil convidados no Theatro Municipal
O carisma e magnetismo pessoal de Barack Obama, o esforço em falar frases em português e as referências a aspectos históricos e simbólicos do brasileiro e do carioca, fizeram o público do Theatro Municipal sair, em boa parte, encantado com o pronunciamento do presidente norte-americano. Obama foi ovacionado de pé, ao entrar no teatro e ao deixar o palco, por cerca de 30 segundos em cada vez.

Do ativista social José Júnior, coordenador do grupo AfroReggae, à candidata derrotada à Presidência, Marina Silva, passando pela ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, todos ressaltaram a habilidade do presidente norte-americano em conquistar a plateia.

 O presidente dos Estados Unidos adotou um visual mais despojado, sem gravata, mais ao estilo carioca. Citou o filme "Orfeu Negro" (1959, de Marcel Camus), visto por sua mãe; elogiou os brasileiros, o país e as belezas naturais do Rio. O único momento em que se ouviram algumas “vaias” foi quando falou de futebol e citou Vasco e Botafogo, que se enfrentam esta tarde. Então ouviu alguns gritos de “Flamengo” e se fez um burburinho, por conta de uma bem-humorada rivalidade entre os times cariocas.



“Ele foi muito feliz. Obama domina a platéia e fala com muita precisão sobre tudo. O discurso mostrou que está preocupado com a paz e a concórdia, e a ecologia e que Brasil e Estados Unidos podem cooperar de maneira efetiva em diversas áreas”, disse Ellen Gracie.

No campo político, houve quem sentisse falta da citação de alguns temas, mas todos enfatizaram a “presença de palco” de Obama. Marina Silva disse que ele é muito “cativante” e “carismático” e agradeceu a oportunidade de poder participar do evento, mas achou que o presidente norte-americano falaria mais sobre “o desafio de integrar ecologia e economia neste século”. Para o candidato a vice-presidente na chapa derrotada de José Serra (PSDB), Índio da Costa (DEM), Obama foi “gentil” e “simpático”, mas também queria ver um movimento no sentido da redução das barreiras comerciais em relação ao Brasil.

José Júnior, do AfroReggae, disse ter adorado a fala de Obama. O grupo foi convidado para fazer uma apresentação e teve direito a uma frisa próxima ao palco. “Ele foi feliz em tudo o que falou. A primeira coisa que disse foi logo sobre favela, então já nos ganhou. Ele sabe fazer, tem um magnetismo muito grande. Para nós, do AfroReggae, foi uma honra e um momento que entra para a história. No final, acenou para nós, viu um monte de negões perto dele!”, brincou.

A atriz Taís Araújo gostou que Obama tenha se esforçado para falar português. “Não foi uma, mas várias frases! Ele é um poço de carisma”, disse Taís. Seu marido, Lázaro Ramos, afirmou que o discurso do presidente norte-americano “conquista a gente, porque é dirigido a todos e traz esperança”.

A presidente do Theatro Municipal, Carla Camurati, que só soube que Obama faria lá o discurso na noite de quinta-feira, afirmou que “tudo foi muito bom diante da confusão” de transferir um comício para 30 mil pessoas para um local fechado. “Tivemos de fazer uma força-tarefa. A maior dificuldade foi trabalhar sob um esquema de segurança muito pesado, ao qual não estamos acostumados, ainda mais com dificuldades de comunicação, pela diferença de idiomas”.

Na opinião de Carla Camurati, tudo foi “redondo” no discurso de Obama, que considerou “lindo”.

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