"Você precisa se entregar ao diretor", explica Monica Bellucci

Protagonista de "Un Été Brulant" fala da cena de nudez; diretor Philippe Garrel rebate críticas ao filme

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

“Un Été Brulant” , de Philippe Garrel, exibido na noite da quinta-feira (1º) na competição do Festival de Veneza 2011 , tem entre seus protagonistas Monica Bellucci e Louis Garrel, filho do diretor. Mas a coletiva de imprensa, na manhã desta sexta-feira (2), foi dominada pelo próprio cineasta, que falou muito, mas pouco disse.

Getty Images
Monica Bellucci acena para os fotógrafos no Festival de Veneza
Ele respondeu sobre as críticas que seu filme recebeu. “O cinema que amo é ‘O Demônio das Onze Horas’, de Godard, ‘Persona’, de Bergman, ‘Deserto Vermelho’, de Antonioni. Talvez os críticos achem que não estou no nível deles.”

Siga o iG Cultura no Twitter

Louis tomou as dores do pai. “Falando como filho e ator, toda vez que ele faz um filme, há uma divisão. Na internet, vi um arquivo de quando ele tinha 16 anos, em que ele recebia um prêmio como ator. Parte da plateia estava vaiando, parte estava aplaudindo. Parte do público sempre rejeita suas obras. Há artistas cujo trabalho é sistematicamente rejeitado.”

Monica disse que a experiência com Philippe Garrel foi muito interessante, porque o diretor costuma filmar tudo em um take. “Foi como ir à escola. E é bonito ver a relação de pai e filho entre Philippe e Louis.”

A atriz também comentou sua cena de nudez, logo no início do filme. “Quando você aceita trabalhar com um diretor, você tem de se entregar a ele, tem de confiar nele. Fiquei muito feliz que ele tenha me chamado. Respeito seu trabalho, ele tem seu próprio universo”, disse. “Esse momento da nudez é de abandono. Estava num momento delicado, tinha dado à luz um mês e meio antes. Me senti protegida porque Philippe respeita e ama seus atores.”

Sobre a cena, Garrel disse: “Se não coloco cena de nu, me criticam. Se coloco, me criticam”. Ainda acrescentou que os grandes pintores sempre usaram o nu – e, algumas vezes, escandalizaram.

Não é por isso que seu longa foi criticado. A questão de “Un Été Brulant” é que é um filme que parece de antigamente sobre pessoas de hoje – há uma menção clara a Nicolas Sarkozy. Seus personagens, além do mais, são totalmente desprovidos de carisma.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG