Cães de Aluguel mostrou o difícil Road to Nowhere na competição" / Cães de Aluguel mostrou o difícil Road to Nowhere na competição" /

"Você não pode ver o filme só duas vezes", afirma Monte Hellman

Produtor de Cães de Aluguel mostrou o difícil Road to Nowhere na competição

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

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A atriz Shannyn Sossamon no filme "Road to Nowhere", de Monte Hellman
Marcar a exibição de um filme como Road to Nowhere , do veterano Monte Hellman, para as 22h, na reta final de um festival de cinema tão cansativo quanto o de Veneza, é exigir um pouco demais do público. Foi o que aconteceu na sessão de imprensa na noite da quinta-feira 9, dentro da competição do 67º Festival de Veneza – e a exibição ainda contou com atraso considerável.

O diretor independente e produtor de Cães de Aluguel , de Quentin Tarantino – presidente do júri aqui em Veneza –, usa planos longos para contar a história de Mitch Haven (Tygh Runyan), um cineasta de Hollywood que decide filmar a história de um crime misterioso envolvendo um político e sua jovem amante. Ele recusa as principais atrizes para o papel de Velma Duran e seleciona a misteriosa e desconhecida Laurel Graham (), com quem se envolve. Entram na equação uma blogueira (Dominique Swain), o ator principal Cary Stewart (Cliff de Young) e o vendedor de seguros Bruno Brotherton (Waylon Payne).

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"Deve ser difícil para Tarantino julgar tantos amigos", aponta o diretor
Realidade e ficção misturam-se em várias camadas, tornando difícil a compreensão. Filmes dentro de filmes já renderam longas-metragens instigantes. Não é muito o caso aqui, com seus personagens pouco interessantes e uma linguagem visual próxima à de um making of.

Na coletiva de imprensa no início da tarde desta sexta-feira (10), os atores contaram que o trabalho no filme foi muito desafiador. “Tive muitas perguntas durante o projeto, mas me rendi à exploração”, disse Tygh Runyan. Já Shannyn Sossamon afirmou que não tinha ideia do que estava acontecendo o tempo todo. “Foi muito misterioso quando li e quando filmamos também. Tentei entender onde a personagem estava para me manter sã, mas não compreendi muito.”

O diretor Monte Hellman afirmou que, em dado momento, achou que o filme teria 4 horas de duração, apesar de ser um roteiro de pouco mais de 90 páginas. “Laurel era um dos pequenos papéis do filme e só percebemos que seria maior quando colocamos tudo junto. O personagem veio à vida.” O cineasta brincou que o slogan perfeito para o longa-metragem é: “Você não pode ver apenas duas vezes”. Para ele, a arte, como disse Jean Cocteau, “deve ser algo difícil de tocar, mas é preciso fazer alguma conexão com seu público”. Mais tarde, ele completou, dizendo que “a única forma possível é que o público complete o filme por si mesmo”.

Uma jornalista perguntou se Hellman acredita em competição. “Fui de um júri uma vez, com Jean Renoir. Ele se recusou a dar um prêmio, sentiu que filmes competindo uns com os outros não fazia sentido. Eu concordo: não é possível comparar os filmes. Mas, dito isso, começo a sentir um sentimento de competitividade que nunca senti na minha vida.” Ele também comentou o fato de ser julgado por um amigo, Quentin Tarantino : “Deve ser difícil para ele julgar tantos amigos. Mas, sendo uma pessoa séria, ele vai tentar influenciar os outros para que aquele que ele acha o melhor ganhe”.

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