Não deve ser nada fácil ser filha de Francis Ford Coppola, diretor de obras-primas como A Conversação, O Poderoso Chefão e Apocalipse Now. Mas Sofia Coppola, que apresenta seu quarto longa, Somewhere, em Veneza, conseguiu seu próprio lugar na competitiva indústria cinematográfica.
Sofia sofreu um bocado no início da carreira – e isso porque ela começou como atriz. Ela fez várias participações em produções dirigidas pelo pai, sendo a mais famosa como Mary Corleone em O Poderoso Chefão 3. Foi eleita a pior nova estrela pelo Framboesa de Ouro e abandonou de vez a atuação.
Foi para o bem, já que ela se mostrou bem mais talentosa atrás das câmeras, causando boa impressão com seu primeiro longa-metragem, o misterioso As Virgens Suicidas (1999).
Em 2003, ela ficou famosa com Encontros e Desencontros, um filme delicado e agridoce sobre o relacionamento de dois americanos em Tóquio, ela (Scarlett Johansson), uma jovem sem rumo, ele (Bill Murray), um astro decadente. A produção passou pelo Festival de Veneza e levou o Oscar de roteiro original – Sofia foi a terceira mulher a concorrer pela estatueta dourada na categoria direção.
Três anos depois, seu Maria Antonieta foi recebido de forma mista no Festival de Cannes. Muitos criticaram a diretora por incluir modernidades na trama, como um All Star no meio dos sapatos de época e a trilha sonora pop. Mas o filme dá dimensão mais humana – e bastante feminina – à personagem execrada pela história.
Com Somewhere, ela parece voltar ao território de Encontros e Desencontros ao falar de um ator (Stephen Dorff), refugiado no mítico hotel Chateau Marmont, em Los Angeles, que recebe de surpresa a visita da filha (Elle Fanning). O filme, que compete pelo Leão de Ouro na 67ª edição do Festival de Veneza, pode consolidar de vez sua posição como queridinha dos indies.