Artista plástico dos mais reconhecidos, Steve McQueen estreou no cinema com o forte “Hunger”, que levou o Caméra D’Or, para debutantes, no Festival de Cannes. Agora, ele volta na competição principal, mas do Festival de Veneza, com “Shame”, exibido na manhã deste domingo (4), em sessão para jornalistas.
O filme recebeu muitos aplausos, mas também algumas incompreensíveis vaias. “Shame” é o segundo candidato sério ao Leão de Ouro, junto com “A Dangerous Method”, de David Cronenberg. Coincidentemente, ambos são protagonizados por Michael Fassbender.
O talentoso ator trabalha pela segunda vez com McQueen, responsável por revelá-lo ao mundo. Ele interpreta Brandon, um sujeito bem-sucedido, que mora num apartamento incrível em Nova York e tem acesso a tudo. Mas Brandon é um homem com problemas de intimidade que se refugia no sexo. As coisas pioram quando sua irmã (Carey Mulligan) chega à cidade de surpresa.
McQueen lida com personagens problemáticos e controversos, mas jamais deixa de tratá-los como seres humanos ou perde a elegância. Ao mesmo tempo, nunca se torna irrelevante ou frívolo. O filme tem a força necessária para um festival como esse, inclusive em termos de imagem.
Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, o diretor afirmou que não vê seu personagem como um homem repulsivo. “Amo aquele homem. Ele está tentando. Não é um homem mau. É pouco familiar, mas também reconhecível por nós.” Ele também comentou sua relação com Fassbender. “É meio uma história de amor. Porque o amor não acontece todos os dias. Vai ser difícil fazer um filme sem ele.”
Assista ao trailer de "Shame"