"Quis passar emoções do livro", diz diretor de Norwegian Wood

Adaptação do romance best-seller de Haruki Murakami está em competição

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

AFP
As atrizes Kiko Mizuhara, Rinko Kikuchi, o ator Kenichi Matsuyama e o diretor Anh Hung Tran
Uma plateia de jornalistas quase 100% oriental acompanhou a coletiva de imprensa de Norwegian Wood , dirigido pelo vietnamita Anh Hung Tran. O diretor, o produtor Shinji Ogawa e os atores Ken’ichi Matsuyama, Rinko Kikuchi e Kiko Mizuhara estiveram na entrevista no início da tarde desta quinta-feira (2).

Anh Hung Tran disse que não sabe por que o escritor Haruki Murakami, autor do romance best-seller que deu origem ao filme, aceitou que ele fizesse a versão, depois de ter negado vários pedidos. “Ele é muito discreto, não me disse o porquê”, disse o cineasta, confirmando que o ator Tony Leung quis adaptar a obra e tentou conseguir os direitos. O cineasta contou que o trabalho com Murakami foi tranquilo. “Nós nos encontramos várias vezes, até que chegou um ponto em que ele simplesmente disse: ‘Faça apenas o filme mais bonito possível’”, disse.

Ele escolheu um elenco certamente belo para a trama de relacionamentos complicados, com algumas cenas de sexo. “O mais importante nesses momentos particulares de cenas de amor e sexo é o que acontece nos rostos dos personagens, o resto apenas distrai o espectador”, afirmou Tran. Ken’ichi Matsuyama, que faz Watanabe, contou que o cineasta só deu essa informação de que focaria nos rostos no exato momento da filmagem. “Eu achei que, se fosse fazer o que estava descrito no livro, seria muito difícil, mas não foi.” Rinko Kikuchi, intérprete da protagonista Naoko, uma jovem atormentada pelo suicídio do amigo de infância e amado Kizuki, disse que foi preciso muita conversa. “Discutimos, trocamos informação para ver como poderíamos fazer melhor. Falamos das questões técnicas, bem como das questões emocionais.”

Reuters
O vietnamita Anh Hung Tran: "O mais importante nas cenas de sexo é o que acontece nos rostos"
O diretor disse que tentou apresentar um olhar diferente para o próprio público japonês. “Quero que os japoneses vejam os ambientes como familiares mas também exóticos. Isso foi uma decisão muito específica e deliberada.” O produtor Shinji Ogawa acredita que o fato de se tratar de um cineasta oriental ajudou. “Há passagens no livro que ficam melhor se não for um diretor ocidental.” Anh Hung Tran finalizou dizendo que quis fazer a adaptação desde 1994, quando o livro foi traduzido em francês – ele mora em Paris. “As obras de Murakami criam uma intimidade com os leitores que é extraordinária. Quis passar para o filme as emoções que o livro causou em mim como leitor.”

Norwegian Wood é mesmo um drama pleno de atmosfera, de câmera perto dos personagens, de sensações delicadas e calma no desenrolar da narrativa. As cenas são visualmente belas e captam uma natureza atormentada como aqueles seres. Só exagera na duração, causando certa repetição, e na música excessiva. Nada que justificasse a saída de tantas pessoas na sessão oficial de imprensa, na noite de quarta-feira (1º). Sinal de falta de paciência com ritmos outros que não o frenético.

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