"Quis fazer um western diferente", diz diretora de Meek's Cutoff

Kelly Reichardt inspirou-se em história real de pioneiros perdidos no deserto

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Getty Images
Protagonista de "Meek's Cutoff", a atriz Michelle Williams caminha no tapete vermelho de Veneza
A diretora Kelly Reichardt fez uma escolha corajosa: resolveu dirigir um western, mas muito pouco parecido com os faroestes já vistos, em Meek’s Cutoff , exibido na noite de sábado (4) para jornalistas, na competição do 67º Festival de Veneza. “Na verdade, era uma vida monótona e solitária”, contou a cineasta na coletiva de imprensa do início da tarde deste domingo (5).

No filme, três famílias perdem-se ao fazer a travessia do deserto no oeste americano em meados do século 19, numa história baseada em fatos reais. “Era trabalho duro. No início da jornada, os diários das mulheres são bastante românticos. Depois, elas escrevem: ‘Lavei roupa. Cozinhei feijão’”, afirmou a diretora.

Reichardt contou que os atores passaram por um treinamento de pioneiros. “Eles tiveram de aprender a fazer fogo sem fósforo e a lidar com os animais, pensar em cada família em termos econômicos, compraram seus próprios pertences.”

Ela explicou por que escolheu rodar na tela quadrada em vez do cinemascope normalmente utilizado no gênero. “Queria fazer um western diferente. Fora que queria estar com os personagens o tempo todo”, disse. A paisagem exerce papel importante no filme. “Na maior parte dos meus filmes, os personagens estão à mercê dos arredores. Todo o mundo é um pouco onde está e de onde é.”

A diretora brincou por ser comparada a Robert Bresson por um jornalista, mas admitiu que é influenciada pelo cineasta. “Eu dou aula sobre ele na universidade. Acho que, se você desvenda o Bresson, pode sair e fazer filmes.”

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