Post Mortem e Meek's Cutoff melhoram competição

Chileno trabalha com atmosfera estranha e distanciamento, enquanto americano aposta em construção minimalista

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação
Alfredo Castro e Antonia Zegers em "Post Mortem": opressão na ditadura chilena
Alívio. Foi essa a sensação na noite deste sábado (4) depois de três dias de sessões de imprensa noturnas complicadas na competição do 67º Festival de Veneza. O chileno Post Mortem , de Pablo Larraín, e o norte-americano Meek’s Cutoff , de Kelly Reichardt, colocaram a disputa novamente no rumo certo.

Após Tony Manero , que fez sucesso no circuito dos festivais, Larraín volta aos anos 1970 com o mesmo ator, Alfredo Castro. O cineasta mostra o período sombrio instaurado pela ditadura militar, em 11 de setembro de 1973, com um olhar distanciado, sem melodramas. Mario Cornejo é um sujeito sem grandes atrativos que trabalha como redator de relatórios de autópsia. Ele se encanta pela vizinha da frente, a dançarina Nancy (Antonia Zegers), com quem tem breve aproximação. É o que basta para Mario sentir-se seu namorado.

Os tanques invadem as ruas, a família de Nancy é sequestrada, e Mario se vê com algum poder quando participa da autópsia de Salvador Allende, enquanto centenas de mortos na tomada de poder violenta de Augusto Pinochet chegam ao instituto de medicina legal. O personagem é difícil de decifrar, tendo reações inesperadas. A atmosfera é opressiva como aqueles tempos foram para o Chile, com cores esmaecidas, fantasmagóricas.

Em Meek’s Cutoff , última exibição do dia, a diretora Kelly Reichardt volta a mostrar uma jornada, como em seu longa-metragem anterior, Wendy and Lucy , só que sai do período contemporâneo para o século 19. Como Larraín, também usa a mesma atriz do trabalho prévio, Michelle Williams. Ela faz Emily, mulher de Solomon (Will Patton), que, com outras duas famílias, formadas por Paul Dano, Zoe Kazan, Shirley Henderson, Neal Huff e Tommy Nelson, atravessam o deserto em busca de novo lugar para morar, rumo ao Oeste americano. Para isso, contam com a ajuda de Stephen Meek (Bruce Greenwood, um ou dois tons acima dos demais), que não se mostra muito confiável. Perdidos, sem água, eles topam com um nativo-americano e precisam decidir se confiam ou não no homem, supostamente seu inimigo.

Rodado em tomadas longas, com poucos diálogos (os primeiros minutos são totalmente sem falas) e andamento lento, é um filme exigente – daí a injustiça de ser apresentado tão tarde. Ainda assim, foi impossível ignorar a força de sua construção minimalista em paisagens tão grandiosas e desoladas.

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