La Solitudine dei Numeri Primi é único italiano decente em Veneza

Baseada no romance de Paolo Giordano, produção é convencional, mas eficiente

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação
Luca Marinelli e Alba Rohrwacher ao fundo, com Isabella Rossellini à frente no filme
A Itália conseguiu, em sua última chance, apresentar um filme decente na competição do 67º Festival de Veneza. La Solitudine dei Numeri Primi , de Saverio Costanzo, quarta produção italiana na disputa, não inventa a roda, mas consegue contar direito uma boa história, como viram os jornalistas na sessão de imprensa da manhã desta quinta-feira (9).

Baseado no romance de Paolo Giordano lançado no Brasil como A Solidão dos Números Primos , o longa-metragem acompanha Mattia e Alice durante 23 anos, da infância à juventude. São dois personagens sofridos, que pouco falam e não se encaixam muito. Pequeno, Mattia (Tommaso Neri) cuidava da irmã, com problemas mentais. Alice (Martina Albano) era a princesinha da família, mas sofria pressões do pai para ser esquiadora. Mais tarde, encontram-se na mesma escola. Mattia (Vittorio Lomartire) carrega nos braços marcas de auto-mutilação, e Alice (Arianna Nastro) manca.

As cicatrizes carregadas desde a infância fazem com que se entendam e tenham até a juventude (quando passam a ser interpretados por Alba Rohrwacher e Luca Marinelli) o relacionamento que é possível para ambos, incapazes de superar seus traumas. Mas uma chance profissional leva Mattia para a Alemanha e para longe de Alice.

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O escritor e roteirista Paolo Giordano, o cineasta Saverio Costanzo e o casal protagonista
O jovem diretor Saverio Costanzo imprime uma ar levemente pop a essa história de amor e usa uma câmera curiosa pelos personagens, criando uma atmosfera intimista. É sensível e dramático sem grandes exageros e deve fazer algum sucesso no circuito comercial. No entanto, um prêmio em Veneza parece quase impossível.

Na coletiva de imprensa pouco depois, o diretor disse que se interessou pela questão do corpo – para a fase final do longa-metragem, Alba teve de emagrecer dez quilos, e Luca precisou engordar quinze. “O corpo é a única questão político-filosófica dos tempos de hoje”, disse Costanzo. “E eu penso que o corpo é um dos temas do festival este ano.”

Para os atores, foi fundamental passar por essa mudança. “Fizemos uma pequena metamorfose, foi uma oportunidade belíssima”, disse Alba Rohrwacher. Luca Marinelli gostou da experiência. “Pelo externo, pudemos chegar ao interior do personagem”, disse o ator. “No começo, tive medo de fazer esse percurso, mas depois confiei em Saverio.”

Costanzo disse ainda que não foi fácil adaptar o livro, bastante sutil. “Mas essa dificuldade foi muito excitante também. Era complicado, principalmente, converter as imagens matemáticas do livro. Eu prefiro o corpo a corpo. Então resolvemos fazer dele um homem inteligente, não um gênio.” A trama foi escrita em ordem cronológica, só que depois o diretor decidiu intercalar as diferentes épocas. “Era uma história conhecida do público, queria dar ao espectador uma visão nova.”

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