"Killer Joe" motiva catarse na sessão em Veneza

Filme do diretor William Friedkin diverte com violência pop e família altamente disfuncional

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Foi uma catarse a exibição de imprensa de “Killer Joe”, de William Friedkin, na manhã desta quinta-feira (8), dentro da competição do Festival de Veneza 2011 , que terminou com muitos aplausos entusiasmados.

Divulgação
Emile Hirsch contrata o matador Matthew McConaughey em "Killer Joe"
Baseado na peça de Tracy Letts, o filme foca numa família extremamente disfuncional. Chris (Emile Hirsch) procura seu pai, Ansel (Thomas Haden Church), com uma proposta: matar sua mãe, de quem Ansel é separado. Assim, eles podem resgatar um seguro de vida que está no nome de sua irmã mais nova, Dottie (Juno Temple). No esquema, também está incluída a atual mulher de Ansel, Sharla (Gina Gershon). Assim, contratam um matador, o detetive Joe Cooper (Matthew McConaughey), mas, como não têm dinheiro para pagar o serviço à vista, ele exige um depósito: Dottie.

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As famílias disfuncionais estão na moda no cinema independente americano e, para falar a verdade, estão cansando. Mas Friedkin, diretor de “O Exorcista”, dirige a violenta trama, permeada de humor negro, com vigor. O filme tem uma aura pop e jovem que nem parece feito por um diretor de 76 anos.

Na entrevista coletiva do início da tarde, o cineasta também divertiu a plateia – ele chegou a ameaçar cantar e ficou assinando autógrafos por muito tempo, apesar dos apelos da organização. Friedkin comentou o fato de fazer uma adaptação de uma peça. “Vocês viram ‘Casablanca’? Alguns dos melhores filmes americanos vieram de peças. Os filmes vêm de tudo quanto é origem: livros, peças, videogames, brinquedos. A questão é que, numa peça, os diálogos são bons.”

O diretor explicou por que não tem filmado tanto. “Não encontro tantos bons roteiros. Se for para fazer qualquer coisa, prefiro cantar em Las Vegas ou dirigir ópera.”

Indagado sobre o tema de “Killer Joe”, respondeu: “Não tenho ideia. Mas eu entendo esses personagens, acho-os fascinantes, representantes da natureza humana. Diria que é uma história de amor distorcida. Como a Cinderella, que procura o Príncipe. Dottie encontra o seu, mas ele é um assassino profissional. Isso acontece com frequência. Eu fui casado quatro vezes. Eu estava procurando a Cinderella, mas só encontrei matadores de aluguel, à exceção da minha primeira mulher, Jeanne Moreau.”

Um dos fundadores do cinema norte-americano contemporâneo, junto com Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Steven Spielberg, Friedkin comentou o cenário atual. “A tecnologia avançou tanto que tudo o que um cineasta imaginar é possível”, afirmou.

“Vocês acham que se eu falar Darren Aronofsky é porque quero que ele vote no meu filme?”, perguntou, brincando, em referência ao presidente do júri. “Gosto de Paul Thomas Anderson, dos irmãos Coen. Espero que alguém faça, com as novas tecnologias, o que Antonioni, Welles e Fellini fizeram no passado: avancem o cinema.”

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