"Já me senti usada pela beleza", confessa Catherine Deneuve

Estrela de Potiche, de François Ozon, atriz defende revolução pelos direitos femininos

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

AFP
Catherine Deneuve sorri para os fotógrafos em Veneza: aplausos de pé para a atriz
Catherine Deneuve foi a grande estrela, claro, da coletiva de imprensa do filme Potiche , de François Ozon, no começo da tarde deste sábado no 67º Festival de Veneza. Depois de um atraso de 20 minutos no início previsto para a entrevista, ela foi aplaudida em pé por parte da imprensa.

A atriz disse que, de certa forma, identificou-se com sua personagem, que no princípio do filme é uma dona de casa e esposa troféu de quem não se espera nada a não ser cuidar dos afazeres domésticos. “Eu não me senti propriamente uma 'potiche' [esposa troféu], porque elas não falam, não fazem nada, ficam paradinhas. Mas houve momentos em que tive a impressão de que era usada pela minha beleza e não pelo que era”, afirmou. Se pudesse fazer uma revolução hoje, disse, seria pelos direitos femininos. “Eu gostaria que as mulheres tivessem mais reconhecimento, ainda há muitas diferenças entre homens e mulheres, especialmente no ambiente de trabalho. As diferenças de salário em cargos de mesma competência ainda é um problema. Seria bom mexer nisso um pouco.”

O diretor François Ozon disse logo no início da coletiva que a era Sarkozy o inspirou a fazer um filme sobre machismo e misoginia. “Mas não acho que ele seja misógino, ele ama as mulheres”, afirmou. Fabrice Luchini, que interpreta o marido machista da Suzanne de Catherine Deneuve, contou que gosta desse tipo de personagem. “Gosto de interpretar personagens horríveis, detesto heróis positivos. Esse personagem não tem um quê de Berlusconi? Sim, ele tem um quê de Berlusconi!”, disse, provocando aplausos.

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O ator Fabrice Luchini, Deneuve e o cineasta François Ozon
Ser uma das maiores estrelas da história do cinema não tirou de Deneuve o medo antes de iniciar um novo trabalho. “Claro que tenho medo, se você não tem, perde a consciência. Sempre sofro de ansiedade antes de um filme. Com o tempo, sinto-me mais à vontade e as coisas ficam mais fáceis”, afirmou. Ela declarou não ser uma atriz cômica, definitivamente, apesar de gostar de fazer comédias. “Mas elas são difíceis. Quando François me contou a história, prestei muita atenção e achei interessante, porque ambientar a ação nos anos 1970 permite que olhemos para aquela realidade com ironia. Acredito ser difícil encontrar um tema contemporâneo para fazer comédia.”

Indagado se Potiche era o tipo de filme que agradaria ao presidente do júri, Quentin Tarantino, Ozon disse que não sabia. “Ficamos surpresos quando Marco Muller ligou dizendo que tinha gostado e pediu o telefone de Catherine, porque não costuma ser o tipo de filme a ser apresentado em Veneza”, disse o diretor. La Deneuve acrescentou: “É como se a comédia fosse um gênero separado, sem direito a participar de festivais de cinema”.

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