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Italiano sai na frente pela disputa de pior filme

La Passione, de Carlo Mazzacurati, é comédia sem graça e de mau gosto

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação
Encenação desajeitada da Paixão de Cristo em "La Passione"
De novo, um filme italiano deve terminar o Festival de Veneza entre os piores. La Passione , de Carlo Mazzacurati, exibido em sessão de imprensa no final da noite de sexta-feira (4) dentro da competição da 67ª edição, é uma comédia pouco engraçada, com muitos momentos de puro mau gosto. E isso vindo de um país que tem e teve alguns dos maiores mestres do gênero, como Mario Monicelli.

O onipresente Silvio Orlando, vencedor da Coppa Volpi de melhor ator por Il Papà di Giovanna , em 2008, agora interpreta Gianni, um cineasta que não filma há cinco anos e não consegue bolar uma história decente. Um problema em uma propriedade faz com que deixe Roma por uma cidadezinha da Toscana, onde o vazamento de água do seu apartamento está destruindo um afresco importante de uma igreja. Para não ser penalizado, ele é obrigado a ficar na cidade e montar uma Paixão de Cristo com os moradores do local – entre eles, claro, alguns bem excêntricos. Sobram cenas de pastelão e absurdo, que até se encaixariam numa tradição italiana de fazer comédia, mas que aqui sentem falta de um diretor mais talentoso. No mínimo, trata-se de uma escolha inadequada para a competição de um festival deste porte.

Já o russo Ovsyanki ( Silent Souls ), de Aleksei Fedorchenko, foi exibido na primeira sessão noturna para jornalistas, também dentro da competição. Como o protagonista Aist (Igor Sergeyev), ele quer resgatar as tradições do povo Merjan, uma tribo finlandesa que ocupou a região do lago Nero, na porção centro-ocidental da Rússia, e depois foi absorvida pelo povo eslavo. Aist faz uma road trip com o melhor amigo Miron (Yuri Tsurilo), que acaba de perder a mulher Tanya (Yuliya Aug), amante de Aist.

O diretor cuidou do visual, filmando belas imagens, porém apostou em pouquíssimos diálogos e muita narração. O recurso incomoda porque faz parecer que o filme é um livro ilustrado, mas pelo menos Fedorchenko teve o bom senso de manter a duração curta.

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