Post Mortem, de Pablo Larrain, é uma "autópsia" do país sul-americano" / Post Mortem, de Pablo Larrain, é uma "autópsia" do país sul-americano" /

História sobre golpe militar chileno é aplaudida em Veneza

Post Mortem, de Pablo Larrain, é uma "autópsia" do país sul-americano

AFP |

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"Post Mortem" é o único concorrente da América do Sul
O cineasta chileno Pablo Larraín convenceu ontem no Festival de Cinema de Veneza com o filme Post Mortem , uma "autópsia" dos chilenos após o golpe militar de 1973, com imagens impactantes do corpo do presidente derrubado Salvador Allende. O longa-metragem, que arrancou aplausos e elogios de vários críticos, está entre os 24 candidatos ao Leão de Ouro, por sua linguagem inovadora e experimental.

O corpo do socialista Allende estendido sobre uma maca do necrotério da capital Santiago, enquanto o médico se prepara para dissecar seu cadáver diante de uma fila de militares, leva o espectador para um dos momentos mais dramáticos da história da América Latina e obriga os protagonistas a tomarem uma posição frente ao regime de terror que está sendo imposto.

"Allende é um personagem essencial da história do mundo. Seu nome, condição e categoria humana são universais. Não me pareceu necessário pedir autorização para usar sua imagem, embora tenhamos muito respeito por sua figura e por sua família", disse à AFP em Veneza o diretor chileno.

"É a primeira vez que o corpo de Allende é visto nessa dimensão, com o crânio arrebentado. É provável que isso gere polêmicas no Chile, mesmo tendo sido feito com muito respeito", reconhece o ator Alfredo Casto, que vive o obscuro funcionário do necrotério que redige o relatório militar.

"A autópsia de Allende é a autópsia do Chile", disse Larraín, nascido em 1976, anos depois do golpe, que aborda o tema da ditadura militar com um olhar muito pessoal, íntimo, ao tentar captar "esse espaço ambíguo dos vivos e dos mortos".

A transformação de Mario Cornejo (Alfredo Casto), de um obscuro funcionário para colaborador dos militares, um homem solitário que está apaixonado secretamente por sua vizinha (Antonia Zegers), dançarina de cabaré com um pai comunista, é narrada com imagens desoladoras, em lugares pobres e sombrios. Ambientado nos primeiros dias do sangrento golpe de Estado do general Augusto Pinochet, lembra a morte de centenas de opositores, cujos corpos ficavam amontoados no necrotério da capital.

O longa-metragem do diretor chileno é o único filme latino-americano em competição no festival. Para um dos críticos do jornal italiano Il Manifesto, Roberto Silvestri, o filme tem "uma força considerável, por sua linguagem, que fala com o espectador de forma humana e não de cima para baixo".

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