Grego Attenberg mescla estranheza e ternura

Athina Rachel Tsangari conta história de jovem com dificuldades de se relacionar

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação
Ariane Labed e Evangelia Randou na cena inicial do grego "Attenberg"
Logo na primeira cena de Attenberg , único filme grego na competição do 67º Festival de Veneza, exibido no início da tarde desta terça-feira (7), dá para perceber certa semelhança com seu compatriota, Dogtooth , de Yorgos Lanthimos, premiado na mostra "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes no ano passado. Ambos têm uma maneira de filmar parecida e uma estranheza muito peculiares, ainda que Attenberg seja menos cruel e mais delicado. A semelhança dos dois longas-metragens explica-se: a diretora Athina Rachel Tsangari produziu o filme de Lanthimos, que atua neste aqui.

Attenberg começa com Marina (Ariane Labed) e Bella (Evangelia Randou) beijando-se de maneira quase cômica – o espectador percebe pouco depois que Bella ensina a técnica à melhor amiga, que nunca beijou. Pouco depois, passam a imitar gatos. Marina cuida do pai, Spyros (Vangelis Mourikis), que está doente, enquanto tenta se relacionar com homens. Na verdade, com um homem, o engenheiro (Lanthimos). Marina vê e conhece o mundo como se fosse um documentário sobre a vida animal de David Attenborough, que Bella chama de Attenberg – daí o título da produção.

Attenberg apresenta um ponto de vista distanciado, mas não cai na frieza, porque se embute de ternura. A estranheza permeia a narrativa, especialmente nas sequências em que Marina e Bella fazem dancinhas bizarras e divertidas ao som de uma música inaudível, como se fosse uma cena tirada de uma Nouvelle Vague esquisita. É um filme imperfeito, mas original, que chama a atenção para a diretora Athina Rachel Tsangari.

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