Catherine Deneuve e Gerard Depardieu em "Potiche": simplesmente uma delícia
A manhã deste sábado (4) começou leve e engraçada na competição do 67º Festival de Veneza, graças ao francês François Ozon e seu Potiche. No início da trama, Suzanne (Catherine Deneuve) é uma dona de casa sempre de bem com a vida, que se surpreende com a visão de passarinhos e esquilinhos e escreve poemas num caderninho. Uma esposa troféu, como diz seu marido, o estressado Robert (Fabrice Luchini).
Ele toma conta da fábrica de guarda-chuvas fundada pelo pai dela com mão de ferro, sem nem ao menos reformar os banheiros dos empregados. Em greve, eles decidem sequestrar o patrão. Suzanne primeiro pede a ajuda de um sindicalista esquerdista (Gerard Depardieu) para libertar o marido, que, traumatizado, precisa tirar férias forçadas. E então ela assume a administração, promovendo uma revolução.
O filme lida com vários clichês com habilidade, bem ao contrário do italiano La Passione, exibido na noite de ontem. Ozon extrai momentos genuinamente engraçados com uma história absurda, cheia de momentos “as aparências enganam”. E ainda trata no subtexto de assuntos sérios, como as noções de esquerda e direita, exploração de trabalhadores e feminismo. Potiche é simplesmente uma delícia.