Filmes em inglês dominam competição de Veneza 2011

Dez dos 22 concorrentes ao Leão de Ouro são falados na língua e devem levar uma enxurrada de astros e estrelas ao Lido

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

O Festival de Veneza 2011 , que acontece entre 31 de agosto e 10 de setembro, vai falar inglês, pelo menos na competição. Dos 22 longas-metragens anunciados – um, surpresa, só será conhecido na terça-feira (6) –, dez são em inglês. Alguns dirigidos por nomes consagrados, como David Cronenberg e Roman Polanski. No ano passado, eram seis entre 24 produções.

O veterano evento, o primeiro do gênero no mundo, conseguiu assim armas mais fortes para concorrer com o ascendente Festival de Toronto, que começa no dia 8 de setembro e vem roubando muito das atenções de Veneza nos últimos anos.

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John C. Reilly, Jodie Foster, Christoph Waltz e Kate Winslet em "Carnage", de Roman Polanski
A predominância da língua inglesa nas telas vai provocar um desfile de astros e estrelas pelo tapete vermelho do Palazzo Del Cinema, no Lido, algo que nenhum festival costuma rejeitar. Já na abertura, George Clooney, Evan Rachel Wood, Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman apresentam "Tudo Pelo Poder" (“The Ides of March”), novo filme dirigido por Clooney, um conto moral que tem um assessor político (Ryan Gosling) no centro da trama.

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Também vem dos EUA “Texas Killing Fields” , o segundo filme de Ami Canaan Mann, filha do cineasta Michael Mann, sobre um terreno pantanoso que serve de desova de corpos de mulheres assassinadas há décadas, com Sam Worthington, Jessica Chastain e Chloe Moretz no elenco. “Killer Joe”, thriller de William Friedkin, trata de um acordo entre um policial e um traficante de drogas, estrelado por Matthew McConaughey e Emile Hirsch. Abel Ferrara fala do relacionamento de um casal (Willem Dafoe e Shanyn Leigh) à beira do fim do mundo em “4:44 Last Day on Earth”, enquanto Todd Solondz aborda um relacionamento entre desajustados em “Dark Horse”.

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Matthew McConaughey em "Killer Joe"
O Reino Unido conta com três representantes. Na co-produção com a Alemanha “O Espião que Sabia Demais” , Tomas Alfredson, diretor de “Deixe Ela Entrar”, adapta um romance de John Le Carré sobre um espião aposentado que é obrigado a voltar à ativa, com Gary Oldman, Colin Firth e Tom Hardy. Andrea Arnold, prêmio do júri em Cannes-2009 por “Fish Tank”, mostra “Wuthering Heights”, versão do romance de Emily Brontë chamado “O Morro dos Ventos Uivantes” no Brasil.

O artista plástico Steve McQueen, premiado com a Caméra D’Or em Cannes 2009 por sua estreia, “Hunger”, exibe “Shame”, novamente estrelado por Michael Fassbender. O ator também está na coprodução Canadá-Alemanha “A Dangerous Method” , sobre a rivalidade de Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Fassbender) pelo amor de uma jovem paciente (Keira Knightley). Outra coprodução falada em inglês é “Carnage” , dirigido por Roman Polanksi e que conta com Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly no elenco.

Diretores consagrados de outros países

Mas há cineastas-estrelas em outras línguas também, como o russo Alexander Sokurov, que encerra sua tetralogia sobre o poder com “Faust”, adaptação livre da obra de Goethe, falada em alemão. O francês Philippe Garrel concorre com “Un Été Brulant”, estrelado por seu filho, Louis Garrel, e Monica Bellucci. Também vem da França “Poulet aux Prunes” , segundo filme da dupla Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, de “Persépolis”, que fala da mesma família do filme anterior, em período diverso. Ao contrário da animação “Persépolis”, no entanto, Satrapi adapta seu graphic novel “Frango com Ameixas”com atores, num elenco capitaneado por Mathieu Amalric, Maria de Medeiros, Isabella Rossellini e Jamel Debbouze.

A anfitriã Itália comparece com três candidatos, um a menos do que em 2010: “Terraferma”, de Emanuele Crialese, “Quando la Notte”, de Cristina Comencini, e “L’Ultimo Terrestre”, do estreante Gian Alfonso Pacinotti. A Grécia está representada por “Alpis”, de Yorgos Lanthimos, vencedor do troféu da seção Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2009 e indicado ao Oscar de filme estrangeiro pelo estranho “Dogtooth”.

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Mathieu Amalric e Maria de Medeiros em Frango com Ameixas"
A Ásia, continente querido pelo diretor do festival, Marco Müller, conta com cinco concorrentes: o israelense “Hahithalfut”, de Eran Kolirin; o chinês de Hong Kong “Taojie”, de Ann Hui; a coprodução China-Hong Kong “Duo Mingjin”, de Johnnie To; o chinês de Taiwan “Saideke Balai”, de Te-sheng Wei; e o japonês “Himizu”, de Sion Sono. Da América Latina, entretanto, não há um único representante na competição de Veneza 2011.

O júri responsável por eleger os vencedores é presidido pelo cineasta, roteirista e produtor americano Darren Aronofsky e composto pela vídeo-artista e diretora finlandesa Eija-Liisa Ahtila, pelo músico, artista e diretor escocês David Byrne, pelo diretor e roteirista americano Todd Haynes, pelo diretor e roteirista italiano Mario Martone, pela atriz italiana Alba Rohrwacher e pelo diretor e roteirista francês André Téchiné.

Veja abaixo a lista completa dos filmes na disputa pelo Leão de Ouro:

“Tudo Pelo Poder”, de George Clooney (filme de abertura, EUA)
“O Espião que Sabia Demais”, de Tomas Alfredson (Reino Unido)
“Wuthering Heights”, de Andrea Arnold (Reino Unido)
“Texas Killing Fields”, de Ami Canaan Mann (EUA)
“Quando La Notte”, de Cristina Comencini (Itália)
“Terraferma”, de Emanuele Crialese (Itália)
“A Dangerous Method”, de David Cronenberg (Alemanha, Canadá)
“4:44 Last Day on Earth”, de Abel Ferrara (EUA)
“Killer Joe”, de William Friedkin (EUA)
“Un Été Brulant”, de Philippe Garrel (França)
“Taojie (A Simple Life)”, de Ann Hui (China)
“Hahithalfut (The Exchange)”, de Eran Kolirin (Israel)
“Alpeis (Alps)”, de Yorgos Lanthimos (Grécia)
“Shame”, de Steve McQueen (Reino Unido)
“L'Ultimo Terrestre”, de Gian Alfonso Pacinotti, Gipi (Itália)
“Carnage”, de Roman Polanski (França)
“Poulet Aux Prunes”, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud (França)
“Faust”, de Aleksander Sokurov (Rússia)
“Dark Horse”, de Todd Solondz (EUA)
“Himizu”, de Sion Sono (Japão)
“Seediq Bale”, de Te-Sheng Wei (China)

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