Filme de encerramento, "Damsels in Distress" é leve e maluquinho

Longa que se passa numa universidade americana marca a volta do diretor Whit Stillman depois de 13 anos e fecha Veneza

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

A contagem de um festival de cinema costuma ser sangrenta. Na 68ª edição de Veneza , não foi diferente: gente decapitada ( “Saideke Balai” , “O Espião que Sabia Demais” ), vômito ( “Carnage” ), malucos de pedra ( “A Dangerous Method” ), viciado em sexo ( “Shame” ), muitos tapas na cara ( “Himizu” ), tiros ( “Killer Joe” , “Texas Killing Fields” ), o diabo ( “Faust” ). Mas, no encerramento, depois da premiação, ninguém quer passar mal ou pensar nas desgraças da vida. O leve e maluquinho “Damsels in Distress”, exibido na manhã do sábado (10) para jornalistas, é perfeito para a tarefa.

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Divulgação
O elenco de "Damsels in Distress", liderado por Greta Gerwig, à direita
O filme marca a volta de Whit Stillman (“Metropolitan”, “Barcelona” e “Os Últimos Embalos da Disco”), depois de 13 anos. O diretor ambienta sua comédia romântica musical numa universidade norte-americana, em época inespecífica, ainda que haja um ar retrô. Violet (Greta Gerwig) é a líder de uma turma de garotas que se veste como mulheres dos anos 1950 e quer melhorar as coisas. Junto com Heather (Carrie MacLemore) e Rose (Megalyn Echikunwoke), ela toca o clube de prevenção do suicídio, espera lançar uma dança que vire moda mundial e acredita que perfumes sejam terapêuticos – certamente seriam para os meninos fedidos de uma das fraternidades.

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Quando Lily (Analeigh Tipton) é transferida de outra faculdade, as meninas tentam cooptá-la. Ao mesmo tempo, todas vivem às voltas com os rapazes: o misterioso Charlie (Adam Brody), Xavier (Hugo Becker), membro de uma religião estranha, o brucutu Frank (Ryan Metcalf) e Thor, que não sabe o nome das cores. Em meio às desilusões amorosas, Violet vai determinada rumo a seu objetivo. O filme tem alguns ótimos diálogos e sacadas e uma atmosfera estranha e artificial interessante, mas sua trama se afrouxa demais em vários momentos e não dá para entender se e quem Stillman estaria criticando.

Na coletiva de imprensa do início da tarde, os atores comentaram sobre os diálogos e o jeito de dizê-los. “Acho que eles não refletem a forma como a garotada fala hoje. Podiam ser dos anos 1950 ou de 1800, não sei”, disse Adam Brody. Greta Gerwig confessou ter enfrentado dificuldades em falar de forma natural as frases propostas pelo diretor e roteirista. “Mas depois de algum tempo realmente soava natural falar daquela maneira. Era meio artificial e tudo bem ser assim.”

Stillman negou que o filme seja uma crítica ao sistema universitário americano. “Não foi minha intenção, mas se as pessoas perceberem assim, sem problemas. Acredito até que as universidades tenham melhorado, parece que os alunos realmente estudam agora.”

O diretor também comentou sobre sua volta aos universitários, personagens de seu primeiro filme, “Metropolitan”. “Naquele, eram estudantes em férias, o único período em que eu não estava deprimido, porque estava sempre bêbado. Foi um período difícil para mim e só consegui lidar com a universidade mesmo 20 anos mais tarde.”

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