Falta força a "Texas Killing Fields"

Filme da diretora Ami Canaan Mann, filha de Michael Mann, é um thriller pouco contundente

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Filha de Michael Mann, Ami Canaan Mann apresentou, na manhã desta sexta-feira (9), “Texas Killing Fields”, seu segundo longa-metragem e o último da competição do Festival de Veneza 2011 . Como seu pai, cujos trabalhos costumam envolver o submundo e a polícia, ela baseou-se em casos reais acontecidos em torno de Texas City, onde uma região remota serve como local de desova de cadáveres de mulheres vítimas de violência nas últimas décadas.

Divulgação
Sam Worthington interpreta detetive cabeça quente em "Texas Killing Fields"
A diretora, no entanto, optou por usar de forma muito frouxa esse dado que a inspirou a fazer o filme. Ela centra-se na investigação de um serial killer pela dupla de detetives Souder (Sam Worthington) e Heigh (Jeffrey Dean Morgan). Eles começam investigando um crime e percebem que há outros. Em dado momento, o assassino estabelece um jogo com os policiais. Ao mesmo tempo, eles tentam proteger a adolescente Anne (Chloë Moretz), vinda de um lar complicado.

O estourado Souder é da região e não quer ir muito fundo nos assassinatos. Heigh acaba de chegar de Nova York e quer fazer o que acha certo. Há ainda a tensão de Souder com a ex-mulher, a detetive Pam (Jessica Chastain).

Siga o iG Cultura

Recebido com aplausos protocolares ao final da primeira exibição em Veneza, o filme até delineia o cenário onde a ação de passa, mas é pouco contundente, seja na questão da violência contra as mulheres ou na sua origem. Falta a Ami Canaan Mann a força cinematográfica de um David Fincher ou de seu pai. Por isso, a presença de “Texas Killing Fields” na competição do Festival de Veneza parece mesmo uma supervalorização de um thriller de competência limitada.

AFP
A diretora Ami Canaan Mann e o pai, Michael Mann, produtor de "Texas Killing Fields", em Veneza
Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, o roteirista Donald F. Ferrarone, o produtor Michael Mann e a diretora Ami Canaan Mann comentaram sobre a atração da história. “Trabalhava na polícia e conheci esses dois detetives. Viajei o mundo todo e nada foi tão marcante, por isso levei a história a Michael Mann”, explicou Ferrarone. O produtor, por sua vez, disse que gostou da natureza fantasmagórica do ambiente. “As vítimas não eram consideradas importantes, os casos não foram investigados muito fortemente.”

Já a diretora afirmou que se surpreendeu com o mapa anexado à pesquisa, que mostrava as vítimas. “Passei muito tempo olhando e sentindo seus olhos sobre mim. Eram tantas vítimas de tantos criminosos diferentes que me deu a impressão de ser algo infelizmente quase sistêmico. Senti uma necessidade de tentar ajudar contando essa história.”

Ami Canaan Mann disse que evitou as imagens de violência explícita por uma razão. “Tratei o campo de desova como uma casa mal assombrada, em que você quer descobrir o que houve lá e também não. Visualmente, quis seduzir o público em vez de ser explícita.”

null

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG