Era uma espécie de confinamento', diz Kate Winslet sobre 'Carnage

Atriz fala sobre o filme de Roman Polanski, que concorre no Festival de Veneza 2011

EFE |

O Festival de Cinema de Veneza 2011 recebeu nesta quinta-feira com fortes aplausos o último filme de Roman Polanski, "Carnage" . A história do longa se sustenta sobre os ombros de quatro grandes nomes: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly.

Acesse o especial Festival de Veneza 2011

Getty Images
Kate Winslet em Veneza

Winslet, Waltz e Reilly homenagearam nesta quinta-feira Polanski, ausente do festival. "É uma história incrivelmente complexa nos detalhes", explicou Winslet na entrevista coletiva de apresentação do filme, que concorre na competição de Veneza.

Uma história sobre dois casais que se enfrentam após uma briga de seus filhos, de 11 anos. E na qual, ao desenvolver-se quase totalmente na sala da casa de um dos casais, faz com que o trabalho dos atores seja ainda mais importante do que em outros filmes.

"Nós quatro estivemos muito envolvidos desde o primeiro dia de ensaios. Mas tivemos a ajuda de um roteiro extraordinário", enfatizou Winslet. Duas semanas de ensaios permitiram pegar o tom e o ritmo que Polanski queria dar ao filme. Além de conhecer cada milímetro do pequeno cenário no qual tudo se desenvolve.

"Era uma espécie de confinamento em um quarto, mas com muitas pessoas e equipamentos, portanto o uso do espaço foi estudado aos mínimos detalhes", detalhou Waltz. Algo que não foi uma desvantagem para Polanski - esse é um ponto forte do diretor franco-polonês. "Sua precisão, sua exatidão, sua microscópica forma de trabalhar...", assinalou o ganhador de Oscar por "Bastardos Inglórios".

Tudo isso levou os atores a conhecer cada movimento, cada posição, cada frase, exatamente como uma peça de teatro. Um processo que deixou claro que tinham uma forma similar de trabalhar, cada ação no momento certo, ressaltou Winslet.

Siga o iG Cultura no Twitter

Ela destacou que Polanski gostou muito e os atores ajudaram ao não demonstrarem competitividade em nenhum momento. Isso se percebe no resultado final do filme, uma co-produção da Espanha, França, Alemanha e Polônia, que apesar de ser baseado no conhecido texto de teatro de Yasmina Reza adquire uma dimensão diferente pelas mãos de Polanski e de seus quatro protagonistas.

Apenas algumas mudanças: diálogos ainda mais ácidos do que na peça teatral, ligeiras variações de estrutura e algumas cenas fora da sala em que tudo se passa para dar um pouco de oxigênio na grande tela. Os quatro protagonistas se apoiam e se sustentam em um filme no qual eles são tudo e nada.

Não há grandes paisagens, nem momentos épicos, tampouco música grandiosa. São quatro pessoas fechadas dentro de quatro paredes, dispostos a mostrar o pior de si mesmo. Quatro adultos que não sabem como resolver um problema em uma história pessimista, mas com um raio de luz, algo que queria introduzir Polanski na obra e que representa a principal mudança com relação ao texto original, como explicou Yasmina Reza.

A obra de teatro acaba de forma diferente, na desolação total. Mas Polanski queria algo mais aberto. "Para mim foi difícil, mas tentei responder ao seu universo", assinalou Reza.

Acesse o especial Festival de Veneza 2011

    Leia tudo sobre: Festival de VenezacinemaPolanski

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG