Edição 2010 de Veneza não deve ficar na memória

Sem astros ou filmes de maior destaque, festival tem ano diferente dos anteriores

Reuters |

AFP
A cubana Yahima Torres, de "Venus Noire": filme deve aparecer entre os premiados
O Festival de Veneza 2010 está chegando ao fim sem o tititi produzido por um filme que se destaque dos demais e sem a presença de astros de primeira grandeza, tão necessária em eventos desse tipo. A competição principal, composta de 24 filmes e caracterizada pelo grupo de diretores mais jovens na história do festival, é vista pela crítica especializada como sólida e diversificada, incluindo desde uma comédia francesa até minimalismo existencial polonês, passando por um drama de costumes chinês com muitos figurinos típicos.

Mas, diferentemente de 2009, quando o aflitivo filme de guerra Líbano foi um vencedor aclamado, ou de 2008, quando O Lutador marcou a inesperada volta por cima do outsider de Hollywood Mickey Rourke, faltou à competição deste ano um momento definidor que conseguisse a adesão consensual da plateia.

Sem nenhum favorito evidente para receber o prêmio principal, o Leão de Ouro, agora que todos os filmes já foram exibidos, o presidente do júri, Quentin Tarantino, tem a tarefa difícil de decidir quem ficará com o cobiçado prêmio Leão de Ouro de melhor filme, a ser entregue na cerimônia de encerramento, no sábado.

"A média dos filmes tem sido muito boa, mas não houve nada pelo qual o público pudesse se apaixonar", escreveu o Il Foglio em editorial recente, embora o jornal italiano tivesse mais tarde identificado Venus Noire como candidato digno a prêmios.

Acrescente-se a isso o fato de o complexo onde os filmes estão sendo exibidos estar parecendo uma obra em construção, o tempo chuvoso, o fechamento do histórico Hotel Des Bains e a concorrência acirrada do Festival de Toronto, que coincide parcialmente com o de Veneza, e tudo indica que a edição 2010 de Veneza pode não permanecer na memória por muito tempo.

Filmes chineses e russos atraem a preferência

Entre os favoritos estão a produção chinesa The Ditch , sobre a situação de presos políticos deportados para campos de trabalhos forçados na China dos anos 1950, e o filme russo Silent Souls , um olhar contemplativo para uma cultura minoritária em processo de desaparecimento e um amor obsessivo.

"O filme é silenciosamente eloquente sobre os dois temas, mostrando como o cinema às vezes alcança uma espécie de poesia, além de prosa", escreveu o crítico de cinema britânico Derek Malcolm em resenha em que atribuiu quatro estrelas a Silent Souls .

Venus Noire , a história verídica de uma mulher levada da África do Sul à Europa em 1810 e exibida como aberração da natureza, pode encontrar eco, devido ao argumento do diretor Abdellatif Kechiche de que seus temas – a intolerância e o racismo – continuam relevantes hoje.

Post Mortem se debruça sobre o golpe militar de 1973 no Chile, visto pelos olhos de um homem que trabalha em um necrotério, e Meek's Cutoff reapresenta o western de Hollywood sob a ótica de um grupo de mulheres isoladas no deserto americano.

A comédia francesa Potiche , estrelada pelos veteranos Catherine Deneuve e Gérard Depardieu, foi aplaudida, e a produção espanhola Balada Triste de la Trompeta , sobre um triângulo amoroso em um circo, dividiu as plateias e encontrou alguns admiradores fervorosos.

Levando em conta a dívida de Tarantino com o cinema asiático e, especificamente, o gênero dos filmes de artes marciais, 13 Assassins , de Takashi Miike, é visto como outsider, como é também o caso do thriller psicológico Black Swan , em que Natalie Portman brilha no papel de uma bailarina perturbada. Portman é forte candidata ao prêmio de melhor atriz, assim como Yahima Torres, de Venus Noire , em sua estreia na tela grande.

Entre os atores principais, Vincent Gallo no papel de um suspeito combatente do Taliban em fuga em Essential Killing e Paul Giamatti em Barney's Version (adaptação do romance A Versão de Barney , de Mordecai Richler) são candidatos bem cotados.

Fora da competição principal, o documentário I'm Still Here , sobre Joaquin Phoenix, foi o mais comentado. Os espectadores ficaram na dúvida sobre se o retrato perturbador e pouco elogioso de um artista em crise é genuíno ou se é uma brincadeira. O diretor Casey Affleck, cunhado de Phoenix, insistiu que não houve brincadeira envolvida, mas restaram dúvidas persistentes.

Machete , de Robert Rodriguez, sobre um ex-tira mexicano envelhecido que parte para vingar-se dos assassinos de sua família, levou as plateias às gargalhadas, e Atração Perigosa , estrelado e dirigido por Ben Affleck, dividiu opiniões.

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